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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

VIM PARA ADORAR-TE

Coloquei esse vídeo porque hoje tive uma experiencia muito bonita com essa música...rezei muito com ela! Coloco aqui algumas imagens para você ouvir a música e rezar com elas. Contemplar Jesus Menino é ver o Amor de Deus que se abaixa até nós.Espero que tenham uma experiência com este Amor que vem nos amar, se fazendo pequenino numa manjedoura... 










Luz do mundo viestes á Terra


Pra que eu pudesse te ver

Tua beleza me leva a adorar-te

Quero contigo viver...

Vim para adorar-te

Vim para prostrar-me

Vim para dizer que és meu Deus


És totalmente amável


Totalmente digno

Tão maravilhoso para mim



Eterno Rei, exaltado nas alturas

Glorioso nos céus



Humilde viestes á terra que criaste

E por amor pobre se fez




Vim para adorar-te


Vim para prostrar-me



Vim para dizer que és meu Deus


És totalmente amável



Totalmente digno

Tão maravilhoso para mim(2x)

Eu nunca saberei o preço dos meus pecados lá na cruz.(6x)
Vim para adorar-teVim para prostrar-meVim para dizer que és meu DeusÉs totalmente amávelTotalmente dignoTão maravilhoso para mim...

Um bom dia pra você... Nos preparemos para a chegada do nosso Pequeno! Abramos a porta dos nossos corações.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bendita Aquela que acreditou


A palavra “Advento” vem do verbo latino: advenire, que se traduz por “vir para junto, chegar para perto”. Na linguagem cristã católica, o Advento é o tempo litúrgico que precede a grande festa do Natal de Jesus. São as quatro semanas preparatórias dos corações para o natalício de Jesus Cristo. Nessa oportunidade, somos chamados a realizar uma aceitação mais profunda da pessoa de Jesus, do seu Evangelho, bem como de sua Igreja, com toda a abrangente riqueza espiritual que ela oferece.




O significado existencial da palavra Advento é muito sugestivo. Advento sugere e exprime uma atitude e uma decisão de “alguém querer vir para perto de você”. Mas ao mesmo tempo, sugere a sua atitude e decisão de corresponder àquele que vem, “indo ao seu encontro”, feliz por causa de sua vinda, e com determinação de acolhê-lo da melhor forma.


Uma das figuras centrais do Advento é Maria de Nazaré. Diz Sto Agostinho que, “não sendo o mundo digno de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, foi dado a Maria, para que os homens O recebessem através dela”.                                                                
Maria é “templo do Espírito Santo”, o qual nela entrou fazendo-a mãe virgem do Filho de Deus; estabeleceu nela sua morada e ligou-a intimamente com Deus.



Maria é “a casa de Deus”, lugar da habitação física de Deus, por nove meses: é ela a “arca da aliança”, para mostrar porque se tornou o lugar da presença viva do Deus que nela se fez homem. Maria é a “torre de Davi”, nela se torna verdade a expectativa e profecias de tantos séculos.  




Por isso a Virgem Maria é modelo daqueles que esperam o Senhor. Quem melhor do que Ela aguardou e se preparou para a chegada de Jesus? Ela é a bendita flor que gerou o bendito fruto da nossa Salvação.     



Nosso pensamento volta-se 2.000 anos no tempo. Quase podemos ver aquela pequena cidade de Ain-Karin, distante 15 km de Jerusalém e cerca de 100 Km de Nazaré. Nas encostas da montanha ficava a casa de um casal em festa: Isabel e Zacarias que esperavam seu primeiro filho, João Batista.

 Isabel era prima de Maria e já tinha uma certa idade. Precisava de ajuda pois se aproximavam os dias em que teria que dar à luz. Maria num gesto bonito de solidariedade sai de Nazaré e faz a longa caminhada para servir Isabel. 

No ventre de Maria já estava o menino Jesus. Que cena bonita o encontro das duas primas. É o primeiro abraço de Jesus com seu precursor, João Batista. O menino estremece de alegria no ventre de Isabel e ela fica cheia do Espírito Santo e começa a rezar, louvar, dar glórias a Deus. Maria ouve sorridente, mas em silêncio. 
Entre tantas preces Isabel diz em alta voz: “Bendita é tu entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre!” A Igreja preservou a memória destas palavras na ave-maria. Todos os dias rezamos o mesmo louvor. 

Seria interessante voltar nosso pensamento para o abraço cheio de ternura com que a frase foi proclamada. Maria também nos visita com sua prece, sua intercessão. Precisamos estar cheios do Espírito Santo para rezar esta prece com sinceridade de coração.
Um pouco mais adiante Maria rompe o silêncio e faz sua prece em canção. O evangelista São Lucas assim compilou o que hoje conhecemos como Magnificat (Lc 1, 46-55). 

Foi uma tarde de louvor. Em sua oração Maria profetiza: “Sim, doravante todas as gerações me chamarão de bendita!” Nós fazemos parte desta geração que chama Maria de bendito. Fazemos isso toda vez em que rezamos a ave-maria. 
Mas é importante dizer também que a devoção mariana não é um fim em si mesma. A própria ave-maria não estaciona no louvor à Mãe de Deus. Aponta um pouco mais adiante para Jesus! Maria é o sacrário onde habita o Senhor.  


Quando recebemos o abraço de Maria sempre ficamos cheios do Espírito Santo e sentimos a presença de Jesus.



Enfim, Maria é a “Mãe do Salvador”. Ela é a escolhida para possibilitar a encarnação do Verbo, gerando aquele que é a um só tempo Deus e homem. Sua grandeza consiste em não só ter gerado Jesus, mas de o ter seguido plenamente, colaborando na redenção do gênero humano.



Invoquêmo-la, neste Advento, como Mãe daquele  que deseja nascer em nosso coração neste Natal. Chamemos Maria, para que assim como a casa e a vida de Isabel encheu-se da presença do Senhor com sua visita, assim também nossa familia se encha do amor que vem de jesus. Assim seja.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Natal: Tempo de Alegria para todo o povo


Estamos ainda no tempo do advento, mas aproxima-se o Natal do Senhor.A Palavra nos diz:

“... Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura...” (Lc 2, 1-14).

Somos encorajados por uma notícia alegre transmitida pelo anjo aos pastores de Belém.

Está em nosso meio Aquele que desde a sua pobre manjedoura, ao lado de sua mãe, a Virgem Maria e de seu pai adotivo São José, já é reconhecido como o “Cristo Senhor”, o Salvador.

Cumprem-se com a natividade do Senhor, na cidade de Belém, a casa do pão, todas as profecias do Antigo Testamento.

O nascimento de Jesus não é só um fato do passado. É mais do que isto. É uma realidade salvífica. É, portanto, Evangelho,Boa Nova, uma notícia feliz! Realidade sempre nova, sempre perene.

Esta boa e feliz notícia está sobreposta à triste situação do povo no tempo do exílio do antigo Povo de Deus.

E porque não dizer de nossa triste situação hoje também. Às vezes temos a impressão que a história se repete, somente com roupagem diferente. Vivemos sim um verdadeiro exílio, tempos difíceis, duros, de grandes provações, tempos da expulsão de valores humanos e cristãos, de lastimável crise não só no setor econômico mundial, mas também na vida ética, política, moral, e principalmente espiritual na humanidade como um todo.

Existem crises de referências, de identidade, de desagregação familiar, de banalização do sagrado, de confusão religiosa. Espalha-se a cultura de morte, lideranças políticas que até então eram tidas como sérias e confiáveis, defendem posições abortistas em nome da dignidade e da liberdade de escolha da mulher e de uniões ilegítimas.

Jovens são destroçados pelas ilusões das drogas, do sexo livre e pelo mau uso irresponsável da internet e ninguém está livre da alarmante violência que campeia solta nas ruas e praças do campo ou da cidade, nas favelas e periferias ou mesmo entre os mais belos prédios nas cidades de praias, como a nossa, por exemplo, e centros urbanos.

Não sabemos mais em quem confiar. Parece não mais existir homens e mulheres de palavra e plenamente confiáveis, dignas de crédito.

Mas, se fossemos continuar essa lista iria longe... Todavia, hoje para nós é Tempo de Esperança,o "Kairós", a revelação do Emanuel, do Deus conosco, a festa da natividade Daquele que nos faz ir mais longe do que todas as tristes realidades que descrevi.

Norteados pela fé sabemos que só Jesus é o caminho, que somente Nele a verdade pode ser encontrada e que só em sua pessoa existe a vida, plena do seu mais belo e profundo sentido e fundamento. Em Jesus a salvação aparece em seu aspecto de luz, de alegria, de paz. O divino se faz humano, sem, contudo deixar a divindade. Jesus Homem-Deus verdadeiro.

Jesus é o ápice da revelação que Deus fez aos homens, Ele é a irradiação da glória de Deus e imagem visível da substância do Pai. Para usar as palavras do profeta Isaías “... Ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar estas coisas.” (Is 9 5-6).

Por isso o seu nascimento é um anuncio de grande alegria.

Nesta ocasião santa, desse momento singular, preparado pelo período do advento, convido-vos a uma renovada adesão a Cristo, conclamo-vos a uma abertura cada vez maior a vontade de seu coração ferido e machucado por causa do amor, em sua entrega livre e amorosa somos convidados a fazer a nossa entrega.

A data de celebração do Natal, marcada pela Igreja no dia 25 de dezembro, ocasião em que, na antiguidade, se celebrava segundo os ritos pagãos a festa do deus sol, e cristianizada posteriormente, está bem próximo do término do ano cívIl.

Tão logo nos adentraremos em 2011. O que significa dizer que um novo tempo se descortina diante de nós.

O novo ano carrega também suas surpresas e seus mistérios, pois nem tudo sabemos. Diante dessa realidade precisamos ser anunciadores de seu Reino, convocados a sermos portadores de paz, de alegria, de esperança, sinais do amor de DEUS em meio ao mundo e instrumentos de salvação.

A cada um de vocês, queridos (as) irmãos (ãs), e as suas famílias desejamos, de coração, um Feliz e Santo Natal e um ano novo repleto das realizações de Deus em seus dias.

Com orações de todos os Filhos da Misericórdia de Jesus Salvador

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bendito o que vem...


"...uma Luz que brilhará para os gentios e para a glória de Israel, o vosso povo (Lc 2,32)"

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Advento: Tempo de misericórdia e salvação




Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.




“OSTENDE NOBIS, DOMINE, MISERICORDIAM TUAM ET SALUTARE TUUM DA NOBIS” (Cf. Ps 84,8).

“Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia, e dai-nos a vossa salvação!”. (CF. Sl 85,8).

Com esta invocação, iniciamos o tempo oportuno do Advento, no qual nos preparamos para a Chegada do Senhor na carne. O Rei do Universo é esperado como criança, como pobre, como frágil, como Aquele que vem na mais precária condição de ser.

O Advento é o tempo da esperança no sentido mais pleno da palavra. Sabemos perfeitamente o que é uma “sala de espera”; conhecemos a mãe que espera pelo filho antes de nascer e, por isso mesmo, sabemos que quem espera por algo, já o possui de certa forma.

Não se espera sem saber para quê. Esperar é, portanto, possuir embrionariamente o que se espera. Esperar pelo Natal é, pois, possuir o espírito do Natal antes mesmo de vivenciá-lo.

E o Advento nos proporciona esta experiência, esta metânoia interior: viver o espírito do Cristo em sua mais profunda intimidade, na grandiosidade enigmática de sua pequenez, no poder misterioso de sua fragilidade; é existencializar a Encarnação do Cristo em sua essência.

Encarna aquele que assume. Pois viver o Advento é encarnar a proximidade de Deus que se faz Emanuel por amor, unicamente por nosso amor. Não foi por causa do pecado, nos diz Duns Scotus, que Deus se encarnou, mas por Amor, por nosso amor.

Viver a espiritualidade da Encarnação é, portanto, aceitar – só aceitar – esta misericórdia infinita, de Deus por nós, tão grande quanto o próprio Deus, que nos ensina a sermos também, para nossos irmãos, inteiramente misericórdia; é descer, é condescender, é perder-se na pedagogia que nos convoca a assumir, a aceitar, a fazer, a ser a vontade de Deus com as nossas vidas.

O perigo se nos apresenta quando queremos não aceitá-la, não fazê-la, não sê-la; o pecado se instaura quando aceitamos a tentação de manipular a vontade de Deus com o nosso orgulho, seja pela imposição de nosso comportamento egoísta, centralizado em si mesmo, seja pela imposição de nossa vontade de poder que se confunde, muitas vezes, até mesmo com nossa oração.

Iniciamos o Advento do Ano Litúrgico(ano C) no qual leremos o Evangelho de São Lucas, o Evangelho da Misericórdia, da Parábola do Fariseu e do Publicano. Nada mais contrário ao espírito do Advento e do Natal que a atitude farisaica daquele homem que, no templo, de pé, pensava estar diante de Deus orando, mas que só se encontrava diante da DISTÂNCIA que o tornava diferente do publicano, ou seja, diante do seu orgulho. Não se relacionava senão consigo mesmo, não se dirigia senão aos seus poderes, ao seus carismas, á sua gnose que tudo filtrava.

CUR DEUS HOMO? O Advento nos ensina que nossa esperança deve ser contra toda a esperança farisaica, esperança de grandiosidade, de poder, de auto-satisfação, de orgulho, mas esperança de plenitude oculta, de fecundidade invisível que se manifestam por detrás de banalidade, da trivialidade, da repetição de nosso dia a dia; que se tornam presentes nos textos litúrgicos celebrados e vividos com unção e autenticidade, apontando para o Deus-criança que nasce na gruta de Belém, para assumir por amor, inteiramente por amor, a nossa condição.

Celebrar o Advento é assumir integralmente este mistério da misericórdia e da Salvação que Deus nos propõe por amor, é viver plena e “agostinianamente” a esperança, ou seja, a vida da vida enquanto peregrinamos na carne.

I Domingo do Advento – Homilia do Papa Bento XVI




Queridos irmãos e irmãs,


Com esta celebração vespertina, o Senhor nos dá a graça e a alegria de abrir o novo Ano Litúrgico iniciando da sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória davinda de Deus entre nós. Cada início trás consigo uma graça particular, porque bendiz ao Senhor.


Neste Advento nos será dado, mais uma vez, fazer experiência da proximidade Daquele que criou o mundo, que conduz a história e que cuida de nós chegando até a se fazer um de nós. Este mistério grande e fascinante do Deus conosco, também de Deus que se faz um de nós, celebraremos nas próximas semanas caminhando para o santo Natal. Durante o tempo do Advento sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, qual imagem de Maria Santíssima, expressa sua maternidade fazendo-nos experimentar a espera alegre da vinda do Senhor, que a todos nós envolve com seu amor que salva e consola.


Enquanto os nossos corações se propendem para a celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar para a meta definitiva: ao encontro com o Senhor que virá no esplendor da glória. Por isso nós que, em cada Eucaristia, “anunciamos sua morte, proclamando sua ressurreição na espera de sua vinda”, vigiamos em oração. A liturgia não para de nos encorajar e de nos sustentar, colocando em nossos lábios, nos dias do Advento, o grito com o qual se fecha totalmente a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: “Vinde, Senhor Jesus!”(22, 20).




Queridos irmãos e irmãs, o nosso reunir nesta tarde para iniciar a caminhada do Advento se enriquece de um outro motivo importante: com toda a Igreja, queremos celebrar solenemente uma vigília pela vida nascente. Desejo exprimir meu agradecimento a todos aqueles que aderiram e àqueles que se dedicam de modo específico no acolhimento e proteção da vida humana nas diversas situações de fragilidade, particularmente em seu início e em seus primeiros passos.


É próprio do início do Ano Litúrgico nos fazer viver novamente a espera de Deus que se faz carne no ventre da Virgem Maria, de Deus que se faz pequeno, se torna criança; nos fala da vinda de um Deus próximo, que quis vivenciar a vida do homem, do início ao fim, para salvá-lo totalmente, plenamente. E assim o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana são intimamente e harmonicamente coligados entre eles dentro do único desejo salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um. A Encarnação nos revela com intensa luz e de modo surpreendente que cada vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável.


O homem apresenta uma originalidade inconfundível em relação a todos os outros seres viventes que povoam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, também composto de realidade material. Vive simultaneamente e inseparavelmente na dimensão espiritual e na dimensão corpórea. Isso também é sugerido pelo texto da Primeira Leitura da Carta aos Tessalonicenses que foi proclamada: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo,” (5, 23). Sejamos pois espírito, alma e corpo. Sejamos parte de nosso mundo, entregues à possibilidade e aos limites da condição material; ao mesmo tempo sejamos abertos sob um horizonte infinito, capaz de dialogar com Deus e tender a Ele, verdade, bondade e beleza absoluta. Saboreamos fragmentos de vida e de felicidade e anelamos à plenitude total;


Deus nos ama de modo profundo, total, sem distinção; nos chama à amizade com Ele; nos faz participantes de uma realidade acima de qualquer imaginação e de cada pensamento e palavra: a sua mesma vida divina. Com comoção e gratidão tomemos consciência do valor, da dignidade incomparável de cada pessoa humana e da grande responsabilidade que temos para com todos. “ Cristo, que é o novo Adão – afirma o Concílio Vaticano II, na mesma revelação do mistério do Pai e de seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação... Com sua encarnação o Filho de Deus se uniu de certo modo a cada homem” (Const. Gaudiu et Spes, 22).


Acreditar em Jesus Cristo comporta também ter um olhar novo sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança. Além disso, a própria experiência e a reta razão mostram que o ser humano é um sujeito capaz de entender, de querer, autoconsciente e livre, único e insubstituível, ápice de todas as realidades terrenas, que deve ser reconhecido como um valor em si mesmo e merece ser sempre acolhido com respeito e amor. Ele tem o direito de não ser tratado como um objeto a ser possuído ou como algo que você pode manipular como quer, de não ser reduzido a um mero instrumento para o benefício de outros e de seus interesses. A pessoa é um bem em si mesmo e é necessário procurar sempre o seu desenvolvimento integral. O Amor pelo próximo, se é sincero, tende naturalmente a ter uma atenção preferencial pelos mais fracos e mais pobres. Nesta linha, se insere a solicitude da Igreja pela vida do nascituro, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e pela escuridão da consciência. A Igreja continuamente reitera o que declarou o Concílio Vaticano II contra o aborto e todas as violações contra a vida dos nascituros: “A vida uma vez concebida deve ser protegida com o máximo cuidado” (ibid., n. 51).


Há tendências culturais que buscam anestesiar as consciências com subterfúgios. No que diz respeito ao embrião no útero materno, a ciência mesma coloca em vidência a autonomia capaz de interação com a mãe, a coordenação dos processos biológicos, a continuidade do desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo. Não se trata de um acúmulo de material biológico, mas de um novo ser, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana. Assim foi Jesus no ventre de Maria; assim foi para cada um de nós no ventre da mãe. Com o antigo escritor cristão Tertuliano, podemos afirmar: “É já um homem aquele que o será” (Apologia, IX, 8); não há razão para não considerá-lo pessoa desde a sua concepção.


Infelizmente, mesmo após o nascimento, a vida das crianças continua a ser exposta ao abandono, à fome, à miséria, à doença, aos abusos, à violência, à exploração. As muitas violações dos seus direitos que são cometidas no mundo ferem gravemente a consciência de cada homem de boa vontade. Diante do triste panorama de injustiças cometidas contra a vida do homem, antes e após o nascimento, faço meu o apaixonado apelo do Papa João Paulo II à responsabilidade de todos e de cada um: “Respeite, proteja, ame e sirva a vida, cada vida humana! Somente nesta estrada você poderá encontrar justiça, desenvolvimento, liberdade verdadeira, paz e felicidade” (Encíclica Evangelium vitae, 5). Exorto os protagonistas da política, da economia, das comunicações sociais a fazerem tudo que está ao seu alcance para promover uma cultura que respeite sempre a vida humana, que proporcione condições favoráveis e redes de apoio ao acolhimento e ao desenvolvimento da mesma.


À Virgem Maria, que acolheu o Filho de Deus feito homem com a sua fé, com o seu ventre materno, com carinho, com o acompanhamento solidário e vibrante de amor, confiamos a oração e o compromisso em favor da vida nascente. Nós o fazemos na liturgia - que é o lugar onde vivemos a verdade e onde a verdade vive conosco - adorando a divina Eucaristia, na qual contemplamos o Corpo de Cristo, o Corpo que se encarnou em Maria por obra do Espírito Santo, e dela nasceu em Belém para a nossa salvação. Ave verum Corpus, natum de Maria Virgine!


Fonte: Rádio Vaticano