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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ADORAR É AGRADECER







Nós muitas vezes já ouvimos várias coisas sobre o que é adoração - mas o que isso é exatamente? Sei que não tenho capacidade para definir algo que é, por essência, tão profundo. Mas tenho a minha definição. Sei que é pobre, mas me ajuda a acolher que a adoração é um mistério maior do que minha frágil compreensão. 




Para mim, a adoração é quando você está ciente de que o que foi dado a você é muito maior do que o que você pode dar. A adoração é a consciência de que, se não fosse pelo toque de Deus, você ainda estaria mancando e sofrendo, amargurado e quebrado. A adoração é o nosso “obrigado” Aquele que nos chamou a vida, é um louvor de gratidão que se recusa a ser silenciado.



Ah, muitas vezes nós temos tentado fazer da adoração uma ciência, algo mais da "cabeça" que do "coração". Nós não podemos achar que a adoração que Deus quer de nós diz respeito somente ao nosso intelecto, a razão ou a atos exteriores.


A adoração vem da integralidade do nosso ser, de toda a pessoa do que adora. É a atitude do que sabe-se dependente mas, ao mesmo tempo, também sabe-se terna e infinitamente amado pelo Criador, e volta-se com todo o ser em louvor.


Adorar é realmente algo de vem de "dentro", é necessidade do coração que reconhece os grandes favores do Criador. A adoração é um ato voluntário de gratidão oferecido pelos que foram salvos ao seu Salvador, pelos que foram curados ao seu Curador e pelos  que foram libertos ao seu Libertador.



Quantas vezes lembramos por dia de agradecer a Deus? Passamos longos períodos de tempo esquecidos da dádiva que o Senhor nos deu ao nos chamar a vida. Se você e eu podemos passar dias sem sentir uma vontade de dizer “obrigado” para Aquele que nos salvou, curou e libertou, então faria bem nos lembrarmos do que Ele fez!Isso chama-se memória de fé. Sem ela, esquecemos os feitos do Senhor, e consequentemente, não o adoramos.


“Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus” 2 Coríntios 4,15.


Deus nota o coração agradecido. Ele pegou um menino pastor chamado Davi que cantava louvores e fez dele um rei. Ele se alegrou com uma pequena jovem chamada Maria, que se disse sua escrava, e que exclamou toda sua gratidão e louvor. Sim, Ele gosta dos corações agradecidos!


Não há sinal de que Deus seja prejudicado se não formos gratos. Mas existe evidência de que somos afetados por nossa própria ingratidão. Quando me fecho a ver a vida como dádiva Daquele que me amou antes mesmo da minha existência, eu mesmo perco o sentido profundo dela.



Mas como agradecer pelas coisas ruins que nos atravessam o caminho da vida? E os dias desastrosos? As horas nas quais não consigo dormir e as horas nas quais não posso descansar? Eu sou grato nessas horas? Jesus era.



Na Sagrada Escritura lemos: “ Na noite em que foi traído, o Senhor Jesus pegou o pão e deu graças a Deus.” (1 Coríntios 11,23). Raramente vemos as palavras “ traído” e “ graças” na mesma frase, e mais raro ainda é ver ambas no mesmo coração. No meio da noite mais escura da alma humana, Jesus encontrou um meio de dar graças ao Pai. E, a gratidão de Jesus tornou-se adoração para o Pai.



Qualquer pessoa pode agradecer a Deus pela luz. Jesus nos ensina a agradecer a Deus pela noite. Ele nos diz, “Você vai sair dessa noite escura!” E sairemos. Agradecer também brota da esperança e da fé que se apoiam no amor para com o Senhor. A confiança em sua bondade nos faz dizer obrigado mesmo quando o peso da cruz nos faz sofrer. Por isso, em alguns momentos a gratidão também é, além de adoração, pronfunda ESPERANÇA.


Talvez você já experimentou dias em que a gratidão não sai tão fácil dos nossos lábios e corações? Mas lembre, a gratidão não vem naturalmente. Auto-piedade, sim. As vezes o que impede a nossa gratidão é o sentimento de que o mundo nos deve alguma coisa, de que devemos ser alvo da gratidão do mundo inteiro. Se você pensa assim, prepare-se. Você nunca será reembolsado! A gratidão muitas vezes só nasce quando sacrificamos o nosso sentimento infrutífero e estéreo de auto piedade.




No fundo, se temos essa sensação, com certeza somos também muito orgulhosos para admitir que nós também somos ingratos.Um homem orgulhoso raramente é um homem grato, pois ele nunca acha que recebe o quanto ele merece. O céu nunca está azul o suficiente, a carne não está cozida o suficiente, o universo não é bom o suficiente para merecer um ser humano como você.



Busque gratidão. O coração grato é como um ímã, analisando o dia, coletando razões para gratidão. Nossa oração deve passar do "preciso disso, Deus!" para "Obrigado, Deus!" 



Veja, quantos motivos há para agradecer: Seus pulmões inalam e exalam onze mil litros de ar todos os dias. Obrigado, Senhor! Pelo pão com café de hoje de manhã, pelo cobertor que nos protege do frio da noite, pelas gargalhadas com os amigos que nos faz relaxar de um dia pesado, pelo sol que nos aquece e que nos lembra do amor de Deus... tantos motivos, tantas ocasiões para simplesmente dizer: OBRIGADO, SENHOR! 



A Gratidão nos deixa olhando para Deus e afastados do que nos causa medo. Ela faz com a ansiedade o que o sol da manhã faz com a névoa do vale: DISSIPA-A!



Imagine que eu lhe convidei para passar o dia dos seus sonhos. Vinte e quatro horas numa ilha paradisíaca com as suas pessoas favoritas, comida e atividades? A única estipulação? Você vai ter que começar o dia com um milésimo de segundo de sofrimento. Você aceitaria minha oferta? Eu acho que sim.


Um momento é nada se comparado a vinte e quatro horas. Comparada à eternidade, o que são setenta, oitenta ou noventa anos? Um estalar de dedos, se comparados ao céu. 



Nós apontamos para o filho doente, as muletas, a miséria, e dizemos, “Isso não faz sentido!” Mas, quanto vimos da criação de Deus? Quanto entendemos de toda a Sua obra? Talvez só o equivalente ao que vemos por um buraco de fechadura. E se a resposta de Deus ao sofrimento requer mais mega bites do que nossos minúsculos cérebros possuem? Como Deus diz em Isaías, "meus pensamentos são maiores que os teus pensamentos".



Permita que Deus conclua a Sua obra. A previsão do tempo é simples. Teremos alguns dias bons. E alguns dias ruins. Mas Deus está em todos os dias. E é por isso que, em todos eles, como Jesus, devemos encontrar mil ocasiões para dizer obrigado a Deus e aos outros, e entender que ADORAR É AGRADECER. 


Está satisfeito com o que tem? Em quê é que está grato hoje? Sente gratidão pelas pessoas à sua volta?

Nos próximos dias desafio-o a trazer para a sua atenção algo que seja profundamente grato. Ao mesmo tempo, tome consciência de que tudo isso é dádiva de um Deus que lhe ama mais do que você pode imaginar .Consegue sentir isso? Esse é o desafio para você.


Há sempre alguma coisa para sermos gratos, deixo-lhe aqui algumas ideias simples que pode fazer para praticar a gratidão:

1. Observe o nascer ou pôr-do-sol.

2. Caminhe na natureza e aprecia a sua beleza e perfeição.

3. Dê um abraço inesperado a alguém que ame ou a um amigo.

4. Envie um e-mail para alguém que precise da sua ajuda.

5. Respire profundamente e sinta o ar a entrar e a sair dos seus pulmões.

6. Diga obrigado mesmo por coisas difíceis na sua vida. Tente ser grato a Deus mesmo na dor.

7. Telefone a alguém e agradeça a pessoa por algo que tenha feito por você.

Com este desafio espero que cada vez mais seu coração cresça neste grande exercício que é agradecer.




um bom dia e uma vida repleta de GRATIDÃO e ADORAÇÃO pra você!

domingo, 13 de outubro de 2013

Explicação Teológica da oração da Ave Maria, por Santo Tomás de Aquino





 A saudação angélica é dividida em três partes: A primeira, composta pelo Anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres. (Lc 1, 28).

A segunda é obra de Isabel, mãe de João Batista, que disse: Bendito é o fruto do teu ventre.

A terceira parte, a Igreja acrescentou: Maria

O Anjo não disse: Ave Maria e sim, Ave, Cheia de graça. Mas este nome de Maria, efetivamente, se harmoniza com as palavras do Anjo, como veremos mais adiante.




AVE

 Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.

A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos Anjos e por tê-los reverenciado.

Mas um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.

 Se na antiguidade o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões:

Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual.

Está escrito: Dos seres espirituais Deus fez seus Anjos. (Sl 103).


O homem tem uma natureza corruptível e por isso Abraão dizia a Deus: (Gn 18, 27) Falarei a meu Senhor, eu que sou cinza e pó.

Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível.

Em segundo lugar, o Anjo ultrapassa o homem por sua familiaridade com Deus.

Com efeito, o Anjo pertence à família de Deus, mantendo-se a seus pés. Milhares de milhares de Anjos o serviam, e dez milhares de centenas de milhares mantinham-se em sua presença, está escrito em Daniel (7, 10).

Mas o homem é quase estranho a Deus, como um exilado longe de sua face pelo pecado, como diz o Salmista: ( 54 , 8 ) Fugindo, afastei-me de Deus.

Convém, pois, ao homem honrar o Anjo por causa de sua proximidade com a majestade divina e de sua intimidade com ela.




Em terceiro lugar, o Anjo foi elevado acima do homem, pela plenitude do esplendor da graça divina que possui. Os Anjos participam da própria luz divina em mais perfeita plenitude. Pode-se enumerar os soldados de Deus, diz Jó (25, 3) e haverá algum sobre quem não se levante a sua luz? Por isso os Anjos aparecem sempre luminosos. Mas os homens participam também desta luz, porém com parcimônia e como num claro-escuro.

Por conseguinte, não convinha ao Anjo inclinar-se diante do homem, até, o dia em que apareceu urna criatura humana que sobrepujava os Anjos por sua plenitude de graças (cf n° 5 a 10), por sua familiaridade com Deus (cf. n° 10) e por sua dignidade.

Esta criatura humana foi a bem-aventurada Virgem Maria. Para reconhecer esta superioridade, o Anjo lhe testemunhou sua veneração por esta palavra: Ave.





CHEIA DE GRAÇA

Primeiramente, a bem-aventurada Virgem ultrapassou todos os Anjos por sua plenitude de graça, e para manifestar esta preeminência o Arcanjo Gabriel inclinou-se diante dela, dizendo: cheia de graça; o que quer dizer: a vós venero, porque me ultrapassais por vossa plenitude de graça.

Diz-se também da Bem-aventurada Virgem que é cheia de graça, em três perspectivas:

Primeiro, sua alma possui toda a plenitude de graça. Deus dá a graça para fazer o bem e para evitar o mal. E sob esse duplo aspecto a Bem-aventurada Virgem possuía a graça perfeitissimamente, porque foi ela quem melhor evitou o pecado, depois de Cristo.

O pecado ou é original ou atual; mortal ou venial.

A Virgem foi preservada do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção e permaneceu sempre isenta de pecado mortal ou venial.

Também está escrito, no Cântico dos Cânticos: (4, 7) Tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula.

"Com exceção da Santa Virgem, diz Santo Agostinho, em seu livro sobre a natureza e a graça; todos os santos e santas, em sua vida terrena, diante da pergunta: «estais sem pecados?» teriam gritado a uma só voz: «Se disséssemos: estamos sem pecado (cf. 1, Jo 1, 6), estaríamos enganando-nos a nós mesmos e a verdade não estaria conosco».




"A Virgem santa é a única exceção. Para honrar o Senhor, quando se trata a respeito do pecado, não se faça nunca referência à Virgem Santa. Sabemos que a ela foi dada uma abundância de graças maior, para triunfar completamente do pecado. Ela mereceu conceber Aquele que não foi manchado por nenhuma falta".

Mas o Cristo ultrapassou a Bem-aventurada Virgem. Sem dúvida, um e outro foram concebidos e nasceram sem pecado original. Mas Maria, contrariamente a seu Filho, lhe é submissa de direito. E se ela foi, de fato, totalmente preservada, foi por uma graça e um privilégio singular de Deus Todo Poderoso que é devido aos méritos de seu Filho, Jesus Cristo, Salvador do gênero humano. (N.T.).

A Virgem realizou também as obras de todas as virtudes. Os outros santos se destacam por algumas virtudes, dentre tantas. Este foi humilde, aquele foi casto, aquele outro, misericordioso, por isto são apresentados como modelo para esta ou aquela determinada virtude; como, por exemplo, se apresenta São Nicolau, como modelo de misericórdia.

Mas a Bem-aventurada Virgem é o modelo e o exemplo de todas as virtudes. Nela achareis o modelo da humildade. Escutai suas palavras: (Lc 1, 38) Eis a escrava do Senhor. E mais (Lc 1, 48): O Senhor olhou a humildade de sua serva. Ela é também o modelo da castidade: ela mesma confessa que não conheceu homem (cf. Lc 1, 43). Como é fácil constatar, Maria é o modelo de todas as virtudes.

A Bem-aventurada Virgem é pois cheia de graça, tanto porque faz o bem, como porque evita o mal.

Em segundo lugar, a plenitude de graça da Virgem Santa se manifesta no reflexo da graça de sua alma, sobre sua carne e todo o seu corpo.

Já é uma grande felicidade que os santos gozem de graça suficiente, para a santificação de suas almas. Mas a alma da Bem-aventurada Virgem Maria possui uma tal plenitude de graça, que esta graça de sua alma reflete sobre sua carne, que, por sua vez, concebe o Filho de Deus.

Porque o amor do Espírito Santo, nos diz Hugo de São Vitor, arde no coração da Virgem com um ardor singular, Ele opera em sua carne maravilhas tão grandes, que dela nasceu um Homem Deus, como avisa o Anjo à Virgem santa: (Lc 1, 35) Um Filho santo nascerá de ti e será chamado Filho de Deus.

Em terceiro lugar, a Bem-aventurada Virgem é cheia de graça, a ponto de espalhar sua plenitude de graça sobre todos os homens.



Que cada santo possua graça suficiente para a salvação de muitos homens é coisa considerável. Mas se um santo fosse dotado de uma graça capaz de salvar toda a humanidade, ele gozaria de uma abundância de graça insuperável. Ora, essa plenitude de graça existe no Cristo e na Bem-aventurada Virgem.

Em todos os perigos, podemos obter o auxílio desta gloriosa Virgem. Canta o esposo, no Cântico dos Cânticos: (4, 4) Teu pescoço é como a torre de Davi, edificada com seus baluartes. Dela estão pendentes mil escudos, quer dizer, mil remédios contra os perigos.

Também em todas as ações virtuosas podemos beneficiar-nos de sua ajuda. Em mim há toda a esperança da vida e da virtude (Ecl 24, 25).



MARIA

A Virgem, cheia de graça, ultrapassou os Anjos, por sua plenitude de graça. E por isto é chamada Maria, que quer dizer, «iluminada interiormente», donde se aplica a Maria o que disse Isaias: (58, 11) O Senhor encherá tua alma de esplendores. Também quer dizer: «iluminadora dos outros», em todo o universo; por isso, Maria é comparada, com razão, ao sol e à lua.

O SENHOR É CONVOSCO


Em segundo lugar, a Virgem ultrapassa os Anjos em sua intimidade com o Senhor. O arcanjo Gabriel reconhece esta superioridade, quando lhe dirige estas palavras: O Senhor é convosco, isto é, venero-vos e confesso que estais mais próxima de Deus do que eu mesmo estou. O Senhor está, efetivamente, convosco.

O Senhor Pai está com Maria, pois Ele não se separa de maneira nenhuma de seu Filho e Maria possui este Filho, como nenhuma outra criatura, até mesmo angélica. Deus mandou dizer a Maria, pelo Arcanjo Gabriel (Lc 1, 35) Uma criança santa nascerá de ti e será chamada Filho de Deus.

O Senhor está com Maria, pois repousa em seu seio. Melhor do que a qualquer outra criatura se aplicam a Maria estas palavras de Isaias: (12, 6) Exulta e louva, casa de Sião, porque o Grande, o Santo de Israel está no meio de ti.

O Senhor não habita da mesma maneira com a Bem-aventurada Virgem e com os Anjos. Deus está com Maria, como seu Filho; com os Anjos, Deus habita como Senhor.

O Espírito Santo está em Maria, como em seu templo, onde opera. O arcanjo lhe anunciou: (Lc 1, 35) O Espírito Santo virá sobre ti. Assim, pois, Maria concebeu por efeito do Espírito Santo e nós a chamamos «Templo do Senhor», «Santuário do Espírito Santo». (cf. liturgia das festas de Nossa Senhora).

Portanto, a Bem-aventurada Virgem goza de uma intimidade com Deus maior do que a criatura angélica.

Com ela está o Senhor Pai, o Senhor Filho, o Senhor Espírito Santo, a Santíssima Trindade inteira. Por isso canta a Igreja: «Sois digno trono de toda a Trindade».

É esta então a palavra mais nobre, a mais expressiva, como louvor, que podemos dirigir à Virgem.

MARIA

Portanto o Anjo reverenciou a Bem-aventurada Virgem, como mãe do Soberano Senhor e, assim, ela mesma como Soberana. O nome de Maria, em siríaco significa soberana, o que lhe convém perfeitamente.

Em terceiro lugar, a Virgem ultrapassou aos Anjos em pureza.

Não só possuía em si mesma a pureza, como procurava a pureza para os outros.

Ela foi puríssima de toda culpa, pois foi preservada do pecado original e não cometeu nenhum pecado mortal ou venial, como também foi livre de toda pena.


BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES

Três maldições foram proferidas por Deus contra os homens, por causa do pecado original.

A primeira foi contra a mulher, que traria seu filho no sofrimento e daria à luz com dores.

Mas a Bem-aventurada Virgem não está submetida a estas penas. Ela concebeu o Salvador sem corrupção, trouxe-o alegremente em seu seio e o teve na alegria. A Ela se aplica a palavra de Isaias: (35, 2) A terra germinará, exultará, cantará louvores.

A segunda maldição foi pronunciada contra o homem (Gn 3, 9): Comerás o teu pão com o suor de teu rosto.

A Bem-aventurada Virgem foi isenta desta pena. Como diz o Apóstolo (1 Cor 7, 32-34): Fiquem livres de cuidados as virgens e se ocupem só com o Senhor.

A terceira maldição foi comum ao homem e à mulher. Em razão dela devem ambos tornar ao pó.

A Bem-aventurada Virgem disto também foi preservada, pois foi, com o corpo, assunta aos céus. Cremos que, depois de morta, foi ressuscitada e elevada ao céu. Também se lhe aplicam muito apropriadamente as palavras do Salmo 131, 8: Levanta-te, Senhor, entra no teu repouso; tu e a arca da tua santificação.

MARIA

A Virgem foi pois isenta de toda maldição e bendita entre as mulheres. Ela é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso.

Também lhe convém, assim, o nome de Maria, que quer dizer, «Estrela do mar», Assim como os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, assim, por Maria, são os cristãos conduzidos à Glória.



BENDITO É O FRUTO DE VOSSO VENTRE

O pecador procura nas criaturas aquilo que não pode achar, mas o justo o obtém. A riqueza dos pecadores está reservada para os justos, dizem os Provérbios (13, 22). Assim Eva procurou o fruto, sem achar nele a satisfação de seus desejos. A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou em seu fruto tudo o que Eva desejou.

Eva, com efeito, desejou de seu fruto três coisas:

Primeiro, a deificação (tornar-se como Deus) de Adão e dela mesma e o conhecimento do bem e do mal, como lhe prometera falsamente o diabo: Sereis como deuses (Gn 3, 5), disse-lhes o mentiroso. 


O diabo mentiu, porque ele é mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44). E por ter comido do fruto, Eva, em vez de se tornar semelhante a Deus, tornou-se dessemelhante. Por seu pecado, afastou-se de Deus, sua salvação, e foi expulsa do paraíso.

A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou sua deificação no fruto de suas entranhas. Por Cristo nos unimos a Deus e nos tornamos semelhantes a Ele. Diz-nos São João: (1 Jo 3, 2) Quando Deus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é.

Em segundo lugar, Eva desejava o deleite (cf. Gn 3, 6), mas não o encontrou no fruto e imediatamente conheceu que estava nua e a dor entrou em sua vida.

No fruto da Virgem, ao contrário, encontramos a suavidade e a salvação. Quem come minha carne tem a vida eterna (Jo 6, 55).

Enfim, o fruto de Eva era sedutor no aspecto, mas quão mais belo é o fruto da Virgem que os próprios Anjos desejam contemplar (cf. 1 Pe 1, 12). É o mais belo dos filhos dos homens (Sl 44, 3), porque é o esplendor da glória de seu Pai (Heb 1, 3) como diz S. Paulo.

Portanto, Eva não pôde achar em seu fruto o que também nenhum pecador achará em seu pecado.

Acharemos, no entanto, tudo o que desejamos no fruto da Virgem. Busquemo-lo.

O fruto da Virgem Maria é bendito por Deus, que de tal forma encheu-o de graças que sua simples vinda já nos faz render homenagem a Deus. Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, declara São Paulo (Ef 1, 3).

O fruto da Virgem é bendito pelos Anjos. O Apocalipse (7, 11) nos mostra os Anjos caindo com a face por terra e adorando o Cristo com seus cantos: O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém.

O fruto de Maria é também bendito pelos homens: Toda a língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai, nos diz o Apóstolo (Fp 2, 11). E o Salmista (Sl 117, 26) o saúda assim: Bendito o que vem em nome do Senhor.

Assim, pois, a Virgem é bendita, porém, bem mais ainda, é o seu fruto.


Santa Maria

A vocação a santidade é dada por Deus para todos.O privilégio da santidade não é somente ficar na Igreja rezando .É fazer tudo com amor as atividades do dia a dia. Santa Maria significa que Maria existe, sua vida foi entregue totalmente para cumprir a vontade do Pai. Ela não existiu por si,mas sim para Deus.


Mãe de Deus

Jesus Cristo filho de Maria é também verdadeiro Deus, criador do céu e da terra.É o verbo de Deus encarnado.Maria é a mãe do próprio criador.Negar que Maria é mãe de Deus é negar também que Jesus é Deus.


Rogai por nós pecadores

A Expressão brota justamente da cruz onde Maria esteve de pé.Para que colhamos os méritos da redenção de Cristo e para nos reconhecermos necessitados de Deus, é pedir para Maria que esteve presente junto a cruz para nos socorrer em nossas dificuldades.



Agora e na hora de nossa morte.

A mãe conhece o seu filho e é presença principalmente na hora da aflição. Na hora de nossa morte, Maria quer nos pegar no colo e dizer para Jesus: Meu filho acolha-o na sua infinita misericórdia e eternidade.










quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A REVELAÇÃO DE DEUS COMO AMOR



Deus revelou-Se no Antigo Testamento como o Ser por excelência: “Eu sou Aquele que sou” (Ex 3,14); e no Novo Testamento revelou a natureza profunda e intrínseca do Seu ser: “Deus é amor” (1Jo 4,16).

 

Deus é amor na sua vida íntima e, porque é amor, é também Trindade, Comunhão de Amor: é Pai, porque gera o Filho e Lhe confere toda a Sua natureza e vida divina; é Filho porque se dá totalmente ao Pai; é Espírito Santo, porque procede do amor e do dom recíproco entre o Pai e o Filho. Deus é também amor fora de Si, nas Suas obras: é amor na criação de todos os seres que livremente chama à vida, e, sobretudo, na criação do homem que fez à Sua imagem e semelhança (Gn 1,26). 


 

Mas Deus manifesta mais o Seu amor, quando eleva o homem do seu estado de simples criatura ao estado de Seu filho: “Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fossemos chamados filhos de Deus. E, de fato, somo-lo” (1Jo 3,1). Não se trata, pois, de um título honorífico ou simbólico, de “uma maneira de falar”, mas de uma realidade sublime, de uma nova “maneira de ser”, por meio da qual o homem é profundamente transformado e feito participante da natureza e da vida de Deus, isto é, do ser de Deus que é amor. 

 

O homem entra assim, a fazer parte da família de Deus: é amado por Deus, seu Pai, e é, por sua vez, capaz de amá-Lo como filho, porque Deus infundiu nele o Seu amor. “Vós não recebestes um espírito de escravidão – exclama S. Paulo - recebestes, pelo contrário, um espírito de adoção, pelo qual chamamos: Abba, Pai.O próprio Espírito atesta em união com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rom 8, 15-16). 

 

“Deus é amor” (1 Jo 4, 8. 16). Deus é Comunhão. É Comunidade perfeita. Deus vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor.

 
Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança, Deus inscreveu no homem e na mulher a vocação e, ao mesmo tempo, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. Somos criados para amar e viver em comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano. Quem não vive em comunhão com outras pessoas acaba sozinho. 


O fechar-se em si mesmo é o que há de mais contrário ao bem do ser humano, porque não leva à sua realização pessoal nem à maturidade. A pessoa humana torna-se mais humana e cristã, na medida em que se abre aos outros, encontra neles a sua felicidade, ultrapassa o egoísmo.

Portanto, o homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível, e a sua vida é destituída de sentido se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não experimenta e se não o torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente.

 
Chamados à existência por amor, somos chamados ao mesmo tempo ao amor. Todos nós precisamos e dependemos uns dos outros. Quem de nós não sente necessidade de ser acolhido, ajudado, perdoado, estimado, amado? Quem não precisa de um ponto de referência seguro, de incentivo, de alguém a quem recorrer em situações difíceis?

 

O ser humano que quiser compreender-se a si mesmo deve, com sua inquietude, incertezas e fraquezas, em primeiro lugar, aproximar-se de Cristo, pois Ele revela em Si a plenitude de Deus e também a plenitude do homem.
Deus sabia o que ele estava fazendo desde o início ao nos criar. Ele decidiu desde o princípio modelar as vidas daqueles que O amavam com as mesmas linhas da vida de Seu Filho. Nós vemos Nele a forma original planejada para nossas vidas. Rm 8,29.

“Pelo Amor, Deus revelou a forma – infalível, perfeita e definitiva – como quer ser conhecido” (Paulo VI, Eclesiam suam), 


O AMOR DE DEUS ENCARNADO NA CARIDADE FRATERNA


“Deus é Amor e quem permanece no Amor, permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4,16). Ora Deus difundiu a Seu Amor nos nossos corações, por meio do Espírito Santo que nos foi dado. Sendo assim, o primeiro e mais necessário dom é a caridade com que amamos Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor d’Ele.

A virtude da caridade é a participação criada no amor infinito, por meio do qual Deus Se ama a Si mesmo, ou seja, participação do amor com que o Pai ama o Filho, e o Filho ama o Pai e ambos Se amam no Espírito Santo. Pela caridade, o cristão é chamado a “permanecer em Deus” (1Jo 4,16) e a entrar no círculo do amor eterno que une entre Si as três Pessoas da Santíssima Trindade. 


 
Se a Fé, ao tornar o homem participante do conhecimento que Deus tem de Si próprio, o introduz na intimidade da vida divina, a esperança garante-lhe que partilhará um dia da felicidade eterna. 

Mas, a caridade vai mais longe, porque o enxerta já nesta vida, no inefável movimento de amor que é a vida da Santíssima Trindade. Por meio da caridade, o cristão mora em Deus, a ponto de ficar associado ao amor do Pai para com o Filho e do Filho para com o Pai, amando o Pai e o Filho no Espírito Santo.

 

E, como o amor divino não fica encerrado no seio da Trindade, mas derrama-se d’Ela sobre todos os homens, também a caridade imprime um impulso semelhante ao cristão, abrindo o seu coração ao amor de todos os irmãos. Somente por meio da caridade, que o faz participante do amor de Deus, é que o cristão se torna capaz de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus”.

A caridade só é completa quando sobe a Deus, abrangendo por Ele e n’Ele todas as criaturas. Em Deus o amor é um só: na Sua vida íntima e nas suas relações com os homens, no cristão a caridade é única e indivisível: no seu relacionamento para com Deus e no seu impulso para com os irmãos. “D’Ele temos este Mandamento: Quem ama a Deus, ama também o seu irmão” (1Jo 4,21)

 

“Deus é amor” (1Jo 4,16), amor eterno, infinito e substancial. Como tudo o que há em Deus é belo, bom, perfeito e santo, assim tudo o que há em Deus é amor: a Sua formosura, a Sua santidade, a Sua sabedoria, a Sua verdade, a Sua onipotência e até a Sua justiça são amor. O amor em Deus é um ato externo da Sua vontade, ato perfeitíssimo e santo, porque está sempre dirigido ao bem supremo; este é o amor com que Deus se ama a Si mesmo, porque Ele é o único Bem, sumo e eterno, ao qual nenhum outro bem pode ser preferido.

O amor santo e infinito que Deus se tem a si mesmo, nada tem a ver com o egoísmo do homem, pelo qual se ama com afeto desordenado, a ponto de se preferir a Deus. O homem é egoísta porque tende a amar-se a si mesmo, excluindo qualquer outro afeto; Deus, porém, está de tal maneira isento de toda a sombra de egoísmo que, embora amando-Se infinitamente e estando totalmente enamorado da Sua bondade infinita, quer difundir também o Seu amor e a Sua bondade.

 

É assim que Deus ama as criaturas; o Seu amor está na raiz de cada uma delas porque, ao amá-las, chama-as à existência e cria nelas o bem. “O amor de Deus – diz S.Tomás – infunde e cria a bondade nas coisas” (S.T.1,20,2). Deus ama com um amor totalmente gratuito, livre e sumamente puro, com um amor que é simultaneamente, benevolência, porque quer o bem da criatura e beneficência, porque opera esse bem.

Deus ao amar o homem, dá-lhe vida, infunde-lhe a graça, convida-o à santidade, atrai-o a Si e torna-o participante da Sua felicidade eterna. Tudo o que somos e temos é Dom do Seu amor imenso. O homem, afirma o Concílio Vaticano II “se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele por amor constantemente conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e se entregar ao seu Criador” (Gaudium et Spes, 19).

“Amo-te com amor eterno; e por isso te outorguei os Meus favores” (Jer 31,3). O homem ainda não existia e já Deus, que o via, o amava e o queria. O Seu amor adiantou-se a Ele desde a eternidade. Nenhuma criatura poderia existir se Deus não a tivesse precedido com o Seu amor. “Vós amais tudo o que existe e não aborreceis nada do que fizestes, porque se odiásseis alguma coisa, não a teríeis criado. Como poderia subsistir uma coisa, se Vós não o quisésseis, ou, como se conservaria sem ordem Vossa?” (Sab 11,24-25).


 A história do homem é a história do amor de Deus para com ele. História que, uma vez iniciada, não mais termina, porque o amor de Deus não tem fim, somente o pecado, por ser rejeição do amor de Deus, tem a triste possibilidade de a interromper.

Mas, em si mesmo, Deus ama com um amor infinito, eterno, imutável e fidelíssimo. Ele próprio o quis declarar com as mais ternas expressões: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do menino que amamenta, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria” (Is 49,15).

Deus ama o homem quando o consola, mas ama-o também quando o prova com a dor: as Suas graças e consolações são amor, mas não são menos os Seus castigos e provações, “porque o Senhor castiga aquele a quem ama e aflige o filho a quem muito estima” (Prov 3,12). 

 
Em qualquer circunstância, por mais triste e dolorosa que seja, o homem está constantemente cercado pelo amor divino, que é sempre desejo do bem e, por isso, quer infalivelmente o seu bem, mesmo quando o conduz pelo áspero e duro caminho do sofrimento. (...) Assim são estes os Seus dons neste mundo. Dá conforme o amor que nos tem: aos que mais ama, dá mais destes dons, àqueles que menos ama, dá menos “(Caminho de perfeição, 32,7). O verdadeiro cristão, mesmo que a dor o desfaça, não vacila na Fé, mas repete:” Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem “(1 Jo 4,16)”.