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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A oração da Virgem Mãe ao seu Menino Deus, antes Dele dormir...





Adonai... Meu Deus! Tu, que és o Soberano Senhor agora estás em meus braços, tão frágil, tão pequeno. Que mistério! Ó Deus infante. O mais precioso Filho do céu. Concebido pela união da graça divina com a nossa desgraça, num abraço onde o Amor uniu os desiguais: A Divindade e a humanidade. Bocejas agora e Teus olhinhos apertados me dizem que estás com sono. Então, meu Menino, agora durma bem...






Durma bem. Banhado pela fresca brisa da noite cravejada de diamantes. Durma bem, pois o fogo da ira ferve bem perto. Goze do silêncio do berço, pois o ruído do tumulto se faz sentir em seu futuro. Saboreie a doce segurança de meus braços, pois chegará breve o dia em que não poderei mais protegê-lo.





Descansem bem, mãos pequeninas. Pois apesar de pertencerem a um Rei, vocês não tocarão o cetim, não possuirão ouro. Não pegarão numa pena, não guiarão um pincel. Não, suas mãos pequeninas foram reservadas para obras mais preciosas: tocar a chaga viva de um leproso, enxugar a lágrima triste de uma viúva, repartir pães para os famintos agarrar-se ao chão do Getsêmani.




Suas mãos, tão minúsculas, tão ternas, tão brancas — fechadas hoje em forma de punho infantil. Elas não foram destinadas a empunhar um cetro nem segurar uma taça de prata num palácio, mas reservadas para o trabalho humilde da carpintaria de Teu pai José e para o cravo romano que irá pregá-las numa cruz tão rude e áspera.





Durmam bem, olhos pequeninos. Olhos que veem a história de todos os homens. Durmam enquanto podem. Pois logo virá a claridade e você vai ver a confusão que fizemos do seu mundo. Não chore, pequeno Deus, Tu irás fazer novas todas as coisas.




Verás nossa nudez, pois não podemos ocultar-nos de Ti. Verás nosso egoísmo, pois não sabemos o que significa dar e partilhar. Verás nossa dor, pois não a podemos curar. Ó olhos que verão o abismo escuro e seu terrível príncipe... durmam, por favor, durmam; durmam enquanto podem. Logo trocarás o sono por noites inteiras de oração por esta nossa humanidade.




Fique quieta, boquinha pequenina. Fique quieta boca pela qual tudo foi feito e pela qual falará a Eternidade. Língua minúscula, que em breve chamará os mortos, que irá definir a Graça, que silenciará nossa insensatez.  Lábios de botão — sobre os quais paira um beijo de estrelas, concedendo perdão para os que crerão em Tuas Palavras, e de morte para os que Te negarem — fiquem quietos.




Pezinhos pequeninos que cabem na palma de minha mão, descansem. Pois passos difíceis estão à sua frente. Sentem o cheiro do pó das estradas que terão de palmilhar?Sentem a água fria e salgada sobre as quais andarão? Recuam ao sentir o prego que terão de suportar? Temem a descida íngreme pela escada em espiral até o domínio de Satanás? Descansem, pezinhos pequeninos. Descansem hoje para que amanhã possam andar com poder. Descansem. Pois milhares irão seguir suas pegadas. Teus passos abrirão estradas onde muitos trilharão o caminho da Vida.



Pequeno Coração... Coração santo... bombeando o sangue da vida através do universo: quantas vezes iremos quebrantá-lo? Já nascestes coberto de opróbrios e encimado pela Cruz. Você será dilacerado pelos espinhos de nossas acusações. Você será devastado pelo câncer do nosso pecado. Você será esmagado pelo peso de sua própria tristeza. E será traspassado pela lança da nossa rejeição. 



Todavia nesse ato de traspassar, nesse último rompimento de músculo e membrana, nessa precipitação final de sangue e água, Ele irá encontrar descanso e jorrará Misericórdia que nos salva. Este Coração será uma porta sempre aberta onde os pecadores encontrarão redenção. Este pequenino Coração plasmado em meu ventre ficará vivo em tantos e tantos tabernáculos. Descansa, pequeno Coração em meu colo que Te pertence.


Não temas, meu pequenino, nunca estarás só. Estarei lá aonde fores. Lá, na cruz, cantarei para Ti uma canção de ninar. Dormirás, meu Pequeno, o sono da Cruz para despertar todos os corações. Ali, novamente Te terei em meus braços e velarei novamente Teu sono. Mas depois, que alegria...Suas mãos serão libertadas, Seus olhos verão a justiça, Seus lábios sorrirão, e Seus pés o levarão para casa. E ali descansará de novo — desta vez nos braços do Pai, teu Abbá.



Dorme meu Pequeno, dorme...ficarei aqui bem pertinho. E quando minha voz se calar pelo sono, escuta meu coração que bate de amor por Ti...sempre. Boa noite meu Deus...boa noite meu Filho.

sábado, 2 de julho de 2011

A festa do Imaculado Coração de Maria

Na Sagrada Escritura, a palavra "coração" é a base da relação moral-religioso humano com Deus



O coração é o centro de toda a vida espiritual do homem é a fonte da vida, memória, pensamento, portanto, ele representa toda voda interior do homem: o coração é entendido como um lugar de encontro com Deus!



O termo "coração imaculado", aplicado a Maria se tornou de uso comum com a definição do dogma da Imaculada Conceição e alcançou seu auge no ano 1942-1952, por causa dos acontecimentos de Fátima, que levaram à consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, que foi seguido por uma multidão de outras consagrações por instituições e indivíduos.


 
Devoção ao coração de Maria tem o singular privilégio de poder contar com dois textos-chave do Novo Testamento. São eles: "Maria, por sua vez, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração" (Lucas 2,19), "Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração" (Lc 2,51).



 
Nesses dois textos vemos a profundidade da união de Maria com a Vontade de Deus e a associação do seu coração Imaculado ao de seu Filho.  

Tudo o que diz respeito ao Filho tem lugar no coração e na alma da Mãe! Maria como que inclinando-se nas profundezas do seu coração, escuta e aprofunda a Palavra de Deus, o Verbo Eterno que já a habita totalmente!





Aqui nesses textos vemos a atitude contemplativa de Maria relacionada aos mistérios da vida de Jesus: podemos pensar em Maria, que, após o anúncio do anjo, e questionando a vontade de Deus a respeito dele e repete a resposta de aceitação: "Faça-se em mim segundo tua Palavra"(Lc 1,37).

É a oração da plena adesão do Coração de Maria à vontade de Deus!
Assim, somos ensinados que meditar todas as coisas 'dentro' do nosso coração. Devemos guardar como num cofre, as palavras e ações do Senhor em nossa vida, fazendo um compromisso permanente da fé cristã, o nosso "fiat" diário, para todos, a qualquer momento e em qualquer lugar. Isso é configirar-nos ao coração de Maria.


 
A atitude de Maria de meditar e guardar tudo em seu coração nos inspira em nossa fé, quando o golpe das provações e os ventos das tempestades fazem-nos achar que tudo está acabado, devemos nos apoiar na memória do que o Senhor tem feito em nossas vidas.

Ah! Como devia ser profundo o olhar de Maria para dentro de seu próprio Coração, pois lá, estava Jesus, Verbo Encarnado.



Naquele tempo, Jesus vivia em Maria e, em certo sentido, fazia parte dela; o Seu coração estava junto ao de Maria. Naquele tempo, Maria vivia em Jesus porque Ele era o seu tudo; o coração de Maria estava junto do coração de Jesus e dava-lhe vida. Naquele tempo, Jesus e Maria não eram mais do que um só, vivendo na terra. O coração de um vivia e respirava apenas em função do outro.

Estes dois corações, tão próximos e divinos, vivendo juntos com ânimo tão elevado, o que não serão um ao outro, o que não farão eles um com o outro? Só o amor o pode calcular, o amor divino e celeste, o próprio amor de Jesus.Isso nos faz exclamar, olhando para o Coração Imaculado de Maria e lá vendo o Coração de Jesus: "Ó coração de Jesus vivendo em Maria e por Maria! Ó coração de Maria vivendo em Jesus e por Jesus! Ó excelente união dos dois corações!"





 
O coração da Virgem foi o primeiro altar sobre o qual Jesus ofereceu em Hóstia de louvor perpétuo o Seu coração, o Seu corpo e o Seu espírito, sobre o qual Jesus ofereceu o Seu primeiro sacrifício e fez a primeira oblação perpétua de Si próprio.
A festa litúrgica do Coração de Maria passou por muitas vicissitudes. De acordo com a história, houve primeiramente uma devoção privada ininterrupta, que não chegou a formas públicas oficiais.

Efetivamente, a primeira festa litúrgica do Coração de Maria foi celebrada a 8 de Fevereiro de 1648, na diocese de Autun (França). Em 1864, alguns bispos pedem ao Papa a consagração do mundo ao Coração de Maria, aduzindo como justificativa e motivo a realeza de Maria. 
O pedido decisivo partiu de Fátima e do episcopado português.
Inesperadamente, a 31 de Outubro de 1942, Pio XII, na sua mensagem radiofónica em português, consagrava o mundo ao Coração de Maria. 



O Papa Paulo VI, a 21 de Novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II, renovava, na presença dos padres conciliares, a consagração ao Coração de Maria feita por Pio XII. 
Mais recentemente, João Paulo II, no fim de sua primeira encíclica, “Redemptor Hominis” (4 de março de 1979), escreveu um significativo texto sobre o Coração de Maria. 
Ao tratar do mistério da redenção diz o Papa: “Este mistério formou-se, podemos dizer, no coração da Virgem de Nazaré, quando pronunciou o seu “fiat”. A partir de tal momento, este coração virginal e ao mesmo tempo materno, sob a ação particular do Espírito Santo, acompanha sempre a obra do seu Filho e dirige-se a todos os que Cristo abraçou e abraça continuamente no seu inesgotável amor. 
E por isso este coração deve ser também maternalmente inesgotável. A característica deste amor materno, que a mãe de Deus incute no mistério da redenção e na vida da Igreja, encontra sua expressão na sua singular proximidade do homem e de todas as suas vicissitudes. Nisso consiste o mistério da mãe”.





A Exortação Apostólica “Marialis cultus” (2/2/1974), do Papa Paulo VI inclui a memória do Coração Imaculado da bem-aventurada Virgem Maria entre as “memórias ou festas que ... expressam orientações surgidas na piedade contemporânea”, colocando-a no dia seguinte à solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus.

Essa aproximação das duas festas (Sacratíssimo Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria) faz-nos voltar à origem histórica da devoção: na verdade, São João Eudes, nos seus escritos, jamais separa os dois corações. Aliás, durante nove meses, a vida do Filho de Deus feito carne pulsou seguindo o mesmo ritmo da vida do coração de Maria. Mas os textos próprios da missa do dia destacam mais a beleza espiritual do coração da primeira discípula de Cristo.

Ela, na verdade, trouxe Jesus mais no coração do que no ventre; gerou-o mais com a fé do que com a carne! De acordo com textos bíblicos, Maria escutava e meditava no seu coração a palavra do Senhor, que era para ela como um pão que nutria o íntimo, como que uma água borbulhante que irriga um terreno fecundo. 

Neste contexto, aparece a fase dinâmica da fé de Maria: recordar para aprofundar, confrontar para encarnar, refletir para atualizar.




Maria nos ensina como hospedar Deus, como nutrir-nos com o seu Verbo, como viver tentando saciar a fome e a sede que temos dele. Maria tornou-se, assim, o protótipo dos que escutam a palavra de Deus e dela fazem o seu tesouro; o modelo perfeito dos que na Igreja devem descobrir, por meio de meditação profunda, o hoje desta mensagem divina.
Imitar Maria nesta sua atitude quer dizer permanecermos sempre atentos aos sinais do tempos, isto é, ao que Deus vai realizando na história por trás das aparências da normalidade; em uma palavra, quer dizer refletir, com o coração de Maria, sobre os acontecimentos da vida quotidiana, destes tirando, como ela o fazia, conclusões de fé.

Ajuda-nos, Mãe, a meditar e guardar todas as coisas de Deus em nosso pobre coração.

Imaculado Coração de Maria, sede toda nossa alegria!