Membros do Blog Filhos da Misericórdia...participe também!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Reflexões sobre o Amor de Deus




O primeiro e fundamental anúncio que a Igreja tem a missão de levar ao mundo, e que o mundo espera da Igreja, é o amor de Deus. Mas, para terem como transmitir esta certeza, é preciso que os próprios evangelizadores sejam intimamente permeados por esse amor, que tem que ser a luz da sua vida. É para esta meta que, pelo menos em mínima parte, a presente meditação pretende se dirigir.

A expressão "amor de Deus" tem duas acepções bem diferentes: uma em que Deus é objeto e a outra em que Deus é sujeito: uma que indica o nosso amor por Deus e a outra que indica o amor de Deus por nós. O homem, mais propenso por natureza a ser ativo que passivo, mais a ser credor que devedor, sempre deu precedência ao primeiro significado, àquilo que nós fazemos para Deus. A pregação cristã também seguiu esse caminho, falando, em certas épocas, quase só do "dever" de amar a Deus ("De diligendo Deo").


Mas a revelação bíblica dá a prevalência ao segundo significado: ao amor "de" Deus, não ao amor "por" Deus. Aristóteles dizia que Deus move o mundo "porque é amado", ou seja, é objeto de amor e causa final de toda criatura . Mas a bíblia diz exatamente o contrário: Deus cria e move o mundo porque ama o mundo. O mais importante do amor de Deus não é que o homem ama a Deus, mas que Deus ama o homem e o ama "primeiro": "Nisso está o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele quem nos amou" (1 Jo 4,10). Disso depende todo o resto, incluída a nossa própria possibilidade de amar a Deus: "Nós amamos porque Ele nos amou primeiro" (1 Jo 4,19).



1. O amor de Deus na eternidade

João é o homem dos grandes saltos. Ao reconstruir a história terrena de Cristo, os outros tinham se atido ao seu nascimento de Maria; ele viaja para muito antes, do tempo para a eternidade. "No princípio era o Verbo". E faz o mesmo a respeito do amor. Todos os outros, Paulo inclusive, falaram do amor de Deus manifestado na história e culminado na morte de Cristo; João vai além da história. Não nos apresenta só um Deus que ama, mas um Deus que é amor. "No princípio era o amor, o amor estava junto de Deus e o amor era Deus": assim podemos destrinchar a sua afirmação "Deus é amor" (1 Jo 4,10).

Sobre ela, Agostinho escreveu: "Se não houvesse, em toda esta carta e em todas as páginas da Escritura, nenhum elogio do amor além desta única palavra, que Deus é amor, não precisaríamos de nada mais". Toda a bíblia não faz senão "narrar o amor de Deus". Esta é a notícia que sustenta e explica todas as outras. Discute-se, sem fim, e não só de hoje, se existe Deus. Mas eu acho que o mais importante não é saber se Deus existe, mas se Ele é amor. Se, por hipótese, Ele existisse mas não fosse amor, teríamos mais a temer do que a nos alegrar com a sua existência, como ocorria nos primeiros povos e civilizações. A fé cristã nos assegura justo isso: Deus existe e é amor!

O ponto de partida da nossa viagem é a Trindade. Por que os cristãos crêem na Trindade? A resposta é: porque crêem que Deus é amor. Onde Deus é concebido como Lei suprema ou Poder supremo, não é preciso, evidentemente, uma pluralidade de pessoas, e, portanto, não se entende a Trindade. O direito e o poder podem ser exercidos por uma só pessoa. O amor não.

Não há amor sem que seja de algo ou de alguém, como, segundo o filósofo Husserl, não há conhecimento que não seja de algo. Quem é que Deus ama, para ser definido amor? A humanidade? Mas os homens só existem há poucos milhões de anos! Antes, a quem Deus amava, para ser definido amor? Ele não pode ter começado a ser amor a um certo ponto do tempo, porque Deus não pode mudar a sua essência. O cosmo? Mas o universo existe faz poucos bilhões de anos. Antes, o que Deus amava para poder-se definir amor? Não podemos dizer: amava a si mesmo, porque amar a si próprio não é amor, mas egoísmo, ou, como dizem os psicólogos, narcisismo.
E eis a resposta da revelação cristã que a Igreja recolheu de Cristo e explicitou no seu credo: Deus é amor em si mesmo, antes do tempo, porque desde sempre Ele tem em si um Filho, o Verbo, a quem ama com amor infinito, que é o Espírito Santo. Em todo amor há sempre três realidades ou sujeitos: um que ama, um que é amado e o amor que os une.


2. O amor de Deus na criação

Quando este amor-fonte se derrama no tempo, temos a história da salvação. A primeira etapa é a criação. O amor é, por natureza, "diffusivum sui", tende a comunicar-se. Como "o agir segue o ser", Deus, sendo amor, cria por amor. "Por que Deus nos criou?": esta era a segunda pergunta do catecismo de antigamente, e a resposta era: "Para conhecê-lo, amá-lo e servi-lo nesta vida e desfrutá-lo na outra, no paraíso". Resposta parcial. Ela responde à pergunta sobre a causa final: "para quê, com que finalidade fomos criados por Deus"; não à pergunta sobre a causa causante: "por quê, por qual motivação, fomos criados por Deus". Esta pergunta não tem como resposta "para o amarmos", mas sim "porque Ele nos ama".

Segundo a teologia rabínica, citada pelo Santo Padre no seu último livro sobre Jesus, "o cosmo é criado não para existirem múltiplos astros e tantas outras coisas, e sim para haver um espaço para a aliança, o sim do amor entre Deus e o homem que lhe responde". A criação existe para o diálogo de amor de Deus com as suas criaturas.

Como é distante, neste ponto, a visão cristã da origem do universo da visão do cientificismo ateu recordado no Advento! Um dos sofrimentos mais profundos para um jovem é descobrir, um dia, que ele está no mundo por acaso, não querido, não esperado, talvez por uma falha dos pais. Um certo cientificismo ateu parece empenhado em infligir esse tipo de sofrimento à humanidade inteira. Ninguém saberia nos convencer melhor que Santa Catarina de Sena de termos sido criados por amor, numa sua fervente prece à Trindade:

"Como criaste, então, ó Pai eterno, esta tua criatura? [...] O Amor te obrigou. Ó amor inefável! Embora em tua luz previsses toda as iniquidades que a tua criatura cometeria contra a tua bondade infinita, agiste como se não visses, e pousaste a vista na beleza da tua criatura, da qual, como louco e ébrio de amor, te enamoraste e, por amor, a extraíste de ti, dando-lhe o ser à tua imagem e semelhança! Tu, verdade eterna, declaraste a mim a tua verdade: que o amor te obrigou a criá-la".

Isto não é só ágape, amor de misericórdia, de doação e de descida; é também eros em estado puro; é atração pelo objeto do próprio amor, estima e fascínio pela sua beleza.

3. O amor de Deus na revelação

A segunda etapa do amor de Deus é a revelação, a Escritura. Deus nos fala do seu amor sobretudo nos profetas. Diz em Oseias: "Quando Israel era um menino, eu o amei [...]. Eu ensinei Efraim a caminhar, conduzindo-o pelos braços [...]. Eu o atraía com laços humanos, com vínculos de amor; era, para eles, como quem retira o jugo e lhes dava docemente de comer [...]. Como poderia abandonar-te, Efraim? [...] O meu coração se comove inteiro dentro de mim, todas as minhas compaixões se acendem" (Os 11, 1-4).

Achamos esta mesma linguagem em Isaías: "Acaso uma mulher esquece o filho e não se comove pelo fruto do seu ventre?" (Is 49,15). E em Jeremias: "Efraim é o filho que amo, meu pequeno, meu encanto! Toda vez que o repreendo recordo-me disso, comove-se o meu âmago e cedo à compaixão" (Jer 31,20).

Nestes oráculos, o amor de Deus se expressa ao mesmo tempo como amor paterno e materno. O amor paterno é feito de estímulo e solicitude; o pai quer o filho crescido e levado à plena maturidade. Por isso o corrige e dificilmente o louva em sua presença, por medo que se ache pronto e não progrida mais. Já o amor materno é feito de acolhida e de ternura; é um amor visceral; parte das profundas fibras do ser da mãe, onde a criatura se formou, e ali enraíza toda a sua pessoa, fazendo-a "estremecer de compaixão".

No âmbito humano, esse dois tipos de amor –viril e materno– são sempre, mais ou menos claramente, repartidos. O filósofo Sêneca dizia: "Não vês como é diferente a maneira de amar do pai e da mãe? Os pais acordam cedo os filhos para estudarem, não os deixam ociosos e os fazem derramar suor e às vezes lágrimas. As mães os embalam no colo, querem mantê-los por perto e evitam contrariá-los, fazê-los chorar e fazê-los cansar-se". Mas enquanto o Deus do filósofo pagão só tem pelos homens "o ânimo de um pai que ama sem fraqueza" (são palavras dele), o Deus bíblico tem também o ânimo da mãe que ama "com fraqueza".

O homem conhece por experiência outro tipo de amor, do qual se diz que é "forte como a morte e suas centelhas são centelhas de fogo" (cf. Ct 8,6), e também a esse tipo de amor Deus recorreu, na bíblia, para nos dar uma ideia do seu amor apaixonado por nós. Todas as fases e vicissitudes do amor esponsal são evocadas e usadas para esse fim: o encanto do amor no estado nascente do namoro (cf. Jer 2,2); a plenitude da alegria do dia do casamento (cf. Is 62,5); o drama do rompimento (cf. Os 2,4) e, por fim, o renascer, cheio de esperança, do vínculo antigo (cf. Os 2,16; Is 54,8).


O amor esponsal é, fundamentalmente, um amor de desejo e de escolha. Se é verdade, então, que o homem deseja Deus, é verdade, misteriosamente, também o contrário: que Deus deseja o homem, quer e aprecia o seu amor, se alegra com ele "como o esposo se alegra com a esposa" (Is 62,5)!

Como o Santo Padre realça na Deus caritas est, a metáfora nupcial que atravessa quase toda a bíblia e inspira a linguagem da "aliança" é a melhor prova de que o amor de Deus por nós também é eros e ágape, é dar e buscar juntos. Não pode ser reduzido a pura misericórdia, a um "fazer caridade" ao homem, no sentido mais diminuído da expressão.




4. O amor de Deus na encarnação

Chegamos assim à etapa culminante do amor de Deus, a encarnação: "Deus tanto amou o mundo que lhe deu seu unigênito" (Jo 3,16). Diante da encarnação, perguntamos o mesmo que nos perguntamos na criação: por que Deus se fez homem? Cur Deus homo? Por muito tempo, a resposta foi: para nos redimir do pecado. Duns Scoto aprofundou esta resposta, fazendo do amor o motivo fundamental da encarnação, como de todas as outras obras ad extra da Trindade.

Deus, conforme Scoto, ama primeiramente a si mesmo; segundo, quer outros seres que o amem ("secundo vult alios habere condiligentes"). Se Ele decide a encarnação, é para que exista outro ser que o ame com o máximo amor possível fora dele mesmo. A encarnação, portanto, teria ocorrido ainda que Adão não tivesse pecado. Cristo é o primeiro pensado e o primeiro querido, o "primogênito da criação" (Col 1,15), não a solução para um problema levantado a seguir com o pecado de Adão.

Mas a resposta de Scoto também é parcial e precisa do complemento da Escritura quanto ao amor de Deus. Deus quis a encarnação do Filho não só para ter alguém fora de si mesmo que o amasse de maneira digna de si, mas também e principalmente para ter fora de si mesmo alguém a quem amar de maneira digna de si! E este é o Filho feito homem, em quem o Pai "encontra toda a sua complacência" e com quem fomos todos feitos "filhos no Filho".


Cristo é a prova suprema do amor de Deus pelo homem, não só em sentido objetivo, como penhor inanimado do próprio amor dado a outro, mas em sentido também subjetivo. Em outras palavras, não é só a prova do amor de Deus, mas é o próprio amor de Deus que tomou forma humana para pode amar e ser amado a partir de dentro da nossa situação. No princípio era o amor e "o amor se fez carne": assim parafraseia um antiquíssimo escrito cristão as palavras do prólogo de São João.

São Paulo cunha uma expressão sob medida para esta nova modalidade do amor de Deus: "o amor de Deus que é em Cristo Jesus" (Rm 8,39). Se, como dizia da vez passada, todo o nosso amor por Deus deve expressar-se concretamente em amor por Cristo, é porque todo amor de Deus por nós foi antes expresso e recolhido em Cristo.


5. O amor de Deus infundido nos corações

A história do amor de Deus não acaba na Páscoa de Cristo, mas se prolonga no Pentecostes que atualiza e mantém operante "o amor de Deus em Cristo Jesus" até o fim do mundo. Não somos obrigados, portanto, a viver só da lembrança do amor de Deus, como de coisa passada. "O amor de Deus foi infundido nos nossos corações mediante o Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5).

Mas o que é esse amor, que foi derramado em nosso coração no batismo? É um sentimento de Deus por nós? Uma benévola disposição de Deus a nosso respeito? Uma inclinação? Algo, enfim, de intencional? É muito mais; é algo real. É, ao pé da letra, o amor de Deus, o amor que circula na Trindade entre Pai e Filho e que, na encarnação, assumiu uma forma humana e agora nos é participado sob a forma de "inabitação". "O meu Pai o amará e a ele nós viremos e nele faremos morada" (Jo 14,23).




Tornamo-nos "partícipes da natureza divina" (2 Pd 1,4), ou partícipes do amor divino. Encontramo-nos por graça, explica São João da Cruz, dentro do vórtice de amor que flui desde sempre na Trindade entre o Pai e o Filho. Melhor ainda: entre o vórtice de amor que agora flui, no céu, entre o Pai e o seu Filho Jesus Cristo, ressuscitado da morte, de quem nós somos os membros.


6. Nós acreditamos no amor de Deus!

Esta que tracei pobremente é a revelação objetiva do amor de Deus na história. Agora olhemos para nós: o que faremos, o que diremos depois de ter escutado o quanto Deus nos ama? Uma primeira resposta é: reamar a Deus! Não é, este, o primeiro e o maior dos mandamentos da lei? Sim, mas isto vem depois. Outra resposta possível: amar-nos como Deus nos amou! Não diz o evangelista João que, se Deus nos amou, "também nós devemos amar uns aos outros" (1 Jo 4,11)? Isso também vem depois. Primeiro temos outra coisa a fazer. Crer no amor de Deus! Depois de dizer que "Deus é amor", o evangelista João exclama: "Nós acreditamos no amor que Deus tem por nós!" (1 Jo 4,16).

É a fé. Mas aqui se trata de uma fé especial: a fé-estupor, a fé incrédula (um paradoxo, eu sei, mas verdadeiro!), a fé que não sabe entender daquilo em que crê, mesmo crendo. Como é possível que Deus, sumamente feliz na sua quieta eternidade, tenha tido o desejo não só de nos criar, mas até de vir em pessoa sofrer em meio a nós? Como é que isto é possível? Pronto: esta é a fé-estupor, a fé que nos faz felizes.

O grande converso e apologeta da fé Clive Staples Lewis (autor do ciclo narrativo de Nárnia, recentemente levado ao cinema) escreveu uma obra singular intitulada "As Cartas do Coisa-Ruim". São cartas que um diabo velho escreve a um diabinho jovem e inexperiente, que tem a missão na terra de desencaminhar um jovem londrino recém-retornado à prática cristã. A meta é instruir o diabinho quanto às estratégias para atingir o objetivo. Trata-se de um moderno, finíssimo tratado de moral e ascética, a ser lido pelo contrário, fazendo exatamente o oposto do que é aconselhado.

A um certo ponto, o autor nos faz assistir a uma espécie de discussão entre os demônios. Eles não conseguem entender que o Inimigo (é assim que eles se referem a Deus) ame de verdade "os vermes humanos e deseje a liberdade deles". Eles têm certeza de que isso não pode ser. Deve haver, necessariamente, uma farsa, um truque. Estamos nos perguntando isso, dizem eles, desde o dia em que o Nosso Pai (é assim que eles chamam Lúcifer), justo por este motivo, se afastou dele; ainda não descobrimos, mas um dia descobriremos. O amor de Deus pelas suas criaturas é, para eles, o mistério dos mistérios. E eu acredito que, pelo menos nisso, os demônios têm razão.

Pareceria uma fé fácil e agradável; mas é, talvez, a coisa mais difícil que exista, até para nós, criaturas humanas. Acreditamos, nós, de verdade mesmo, que Deus nos ama? Não é que não creiamos de verdade, mas pelo menos não cremos o suficiente. Se acreditássemos, a vida, nós mesmos, as coisas, os fatos, a própria dor, tudo se transfiguraria rapidamente diante dos nossos olhos! Hoje mesmo estaríamos com ele no paraíso, porque o paraíso é isso: gozar da plenitude do amor de Deus.




O mundo sempre foi dificultando mais acreditar no amor. Quem foi traído ou ferido uma vez, tem medo de amar e ser amado, porque sabe o quanto dói ver-se enganado. Por isso vai sempre crescendo a fila dos que não conseguem acreditar no amor de Deus; ou pior: em amor nenhum. O desencanto e o cinismo são a moldura da nossa cultura secularizada. No pessoal, temos ainda a experiência da nossa pobreza e miséria, que nos faz dizer: "Sim, o amor de Deus é bonito, mas não é pra mim! Eu não sou digno...".

Os homens precisam saber que Deus os ama e ninguém melhor que os discípulos de Cristo para lhes dar essa boa notícia. Outros, no mundo, compartilham com os cristãos o temor de Deus, a preocupação com a justiça social e o respeito do homem, com a paz e a tolerância; mas ninguém –ninguém!– entre os filósofos, nem entre as religiões, diz ao homem que Deus o ama, o ama primeiro, e o ama com amor de misericórdia e de desejo: com eros e com ágape.

São Paulo nos sugere um método para aplicar à nossa existência concreta a luz do amor de Deus. Escreve: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Mas em todas essas coisas nós somos mais que vencedores, em virtude daquele que nos amou" (Rm 8, 35-37). Os perigos e os inimigos do amor de Deus que ele enumera são aqueles que, de fato, ele experimentou na vida: angústia, perseguição, espada... (cf. 2 Cor 11,23). Ele os repassa na mente e constata que nenhum deles é forte o bastante para triunfar quando se pensa no amor de Deus.

Nós estamos convidados a fazer como Ele: olhar para a nossa vida, do jeito que ela se apresenta, e trazer à tona os medos que se aninham nela, as tristezas, ameaças, complexos, aquele defeito físico ou moral, aquela lembrança doída que nos humilha, e escancarar tudo à luz do pensamento de que Deus me ama.

Da sua vida pessoal, o Apóstolo estende o olhar para o mundo que o circunda. "Eu estou certo de que nem a morte, nem a vida; nem anjos nem principados; nem presente nem futuro; nem potestades, nem altura, nem profundidade, nem nenhuma outra criatura poderá jamais nos separar do amor de Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 8, 37-39). Ele observa o seu mundo, com as potências que o tornavam ainda mais ameaçador: a morte com o seu mistério, a vida presente com as suas lisonjas, as potências astrais ou infernais que incutiam tanto terror no homem de antigamente.


Nós podemos fazer igual: olhar para o mundo que nos circunda e que nos dá medo. A altura e a profundidade são hoje, para nós, o infinitamente grande e o infinitamente pequeno, o universo e o átomo. Tudo está pronto para nos esmagar; o homem é frágil e só, num universo tantas e tantas vezes maior do que ele, e que se tornou, além disso, ainda mais ameaçador depois das descobertas científicas que o homem fez e não consegue dominar, como a crise dos reatores nucleares de Fukushima está dramaticamente nos demonstrando.

Tudo pode ser questionado, todas as certezas podem nos faltar, mas nunca esta: Deus nos ama e é mais forte do que tudo. "O nosso auxílio está no nome do Senhor que fez o céu e a terra".


Frei Raniero Catalamessa, OFM

3 caracteristicas do Amor de Deus



Amor, um sentimento que nos move. O amor é um sentimento difícil de compreender ou até explicar, em especial o amor de Deus, que excede todo o nosso entendimento e nossas expectativas. É algo sublime, eterno e singelo, sendo assim a sua essência. Por causa de seu amor Deus nos traz a salvação, a libertação, a cura...Por isso queremos meditar em 3 características especiais deste belo amor, que é o amor do nosso DEUS.

1 - Imensurável: A palavra "imensurável" significa "sem medida". Toda a Escritura afirma explicitamente este grande amor que, como as águas do mar que não se pode contar, e como as estrelas que há no céu, o amor de Deus é sem medida. Ele ultrapassa todo o nosso entendimento (Ef. 3,19). 
No livro de João lemos esta passagem: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (3,16). Quem daria seu único filho para salvar esta pecadora humanidade? Seu irmãos? Vizinhos? Amigos? A resposta seria ninguém. Mas Deus provou seu amor para com todo este mundo vil e pecador nos dando a vida eterna através do sacrifício de seu filho Jesus.



2 - Misericordioso: Deus através de seu amor nos traz a sua Santa misericórdia. Já o profeta Jeremias no seu livro de lamentações citava: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim (Lm 3,22).  
Por causa da sua grande misericórdia não deixou a humanidade sem salvação. Ele prova seu amor para conosco, pois deu Cristo, seu filho, para morrer por nós ainda sendo pecadores (Rm 5,8). Ainda São Paulo relata:
Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou,
quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos!
(Ef. 2,4-5). 

O infinito amor de Deus provoca a sua misericórdia que nos perdoa de todas as nossas iniquidades e pecados e nos dá uma vida nova em Seu Amor.




3 - Poderoso: Na carta de Paulo aos Romanos no capítulo 8 e versículos 38 e 39 realçam a pergunta: Quem nos separará do Amor de Cristo? O Apóstolo afirma: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Este mesmo amor é poderoso, pois não se limita a nada. Quando Deus decidiu por nos amar nada o pode mover deste infinito desejo de nos fazer o bem, e nem mesmo o pecado pode movê-lo deste amor, que é mais forte e poderoso que a morte.
Nunca esqueçamos deste Imensurável, Misericordioso e porderoso Amor que Deus tem por nós.

Nós o amamos porque ELE nos amou primeiro (1 João 4,19)

domingo, 12 de junho de 2011

Dia de Pentecostes

 



Os judeus  tinham uma festa de Pentecostes, que se celebrava 50 dias após a páscoa.  Nesta festa, recordavam o dia em que Moisés subiu ao monte Sinai e recebeu as tábuas da Lei, contendo os ensinamentos dirigidos ao povo de Israel. Celebravam assim, a  aliança do Antigo testamento que o povo estabeleceu com Deus: Eles se comprometeram a viver segundo seus mandamentos e Deus se comprometeu a estar sempre com eles.

Vinham pessoas de todos os cantos para a festa de Pentecostes no Templo de Jerusalém. Deus havia prometido mandar seu espírito em ocasiões diversas: Durante a Última Ceia,  Jesus lhes promete a  seus apóstolos o seguinte: “Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco. O Espírito da  verdade, quem o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque ficará convosco e estará em vós.” (Jo 14, 16-17)



Mais adiante lhes disse:  Disse-vos estas coisas, permanecendo convosco. Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 25-26)




Ao terminar a  cena, volta a fazer a mesma promessa: “Contudo, digo-vos a verdade, a vós convém que eu vá; se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas, se eu for, vo-lo enviarei. Ele, quando vier, argüirá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Sim, do pecado, porque não creram em mim; da justiça, porque vou para o Pai e vós não mais me vereis;  Enfim, do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora. Quando, porém, vier o Espírito da verdade, conduzir-vos-á à verdade integral. Pois, não há de falar de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão por vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo anunciará.” (Jo 16, 7-14)

No calendário do ano litúrgico, comemora-se Pentecostes no domingo subseqüente à festa da Ascensão de Jesus.  O significado do termo para os católicos, representa a festa celebrada pela Igreja 50 dias após a Ressurreição de Jesus (Páscoa).



Depois da Ascensão de Jesus,  encontravam-se os apóstolos reunidos com a Mãe de Deus. Era o dia da festa de Pentecostes. Os apóstolos tinham medo de sair para pregar. Repentinamente, escutou-se um forte vento e línguas de fogo pousaram sobre cada um deles.  Cheios do Espírito Santo, passaram a falar em línguas desconhecidas. 





Nesses dias, haviam muitos estrangeiros em Jerusalém, que vinham de todas as partes do mundo para celebrar a festa de Pentecostes judia. Cada um ouvia falar os apóstolos em sua própria língua e  compreendiam perfeitamente o que eles falavam. 

Todos eles, nesses dias, não tiveram medo e saíram a pregar ao mundo os ensinamentos de Jesus.  O Espírito Santo lhes concedeu forças para a grande missão que tinham de cumprir:  Levar a Palavra de Jesus a  todas as nações e  batizar todos os homens em nome  do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 

O Espírito Santo de Deus é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja nos ensina que  o Espírito Santo é o amor que existe entre o Pai e o Filho. Este amor é tão grande e  perfeito que forma uma terceira pessoa. O Espírito Santo enche nossas  almas no Batismo e depois, de maneira perfeita, na Confirmação.  Com o amor divino de  Deus dentro de nós, somos capazes de amar a Deus e ao próximo. O Espírito Santo nos ajuda a  cumprir nosso compromisso de  vida com Jesus.   

Sinais do Espírito Santo - O vento, o fogo e a pomba 

 Estes símbolos nos revelam o  poder que o Espírito Santo nos dá:  O vento é uma força invisível, porém,  real.  Assim é o Espírito Santo.  O fogo, é um elemento que limpa. O Espírito Santo é uma força invisível e poderosa  que habita em nossos  corações e purifica nosso egoísmo para dar espaço ao amor. A pomba representa a simplicidade e a pureza que devemos cultivar em nosso coração. 

Nomes do Espírito Santo
O Espírito tem recebido diversos nomes ao longo do Novo testamento: O Espírito de Verdade, o Advogado, o Paráclito, o Consolador, o Santificador.




Missão do Espírito Santo

1. O Espírito Santo é santificador:  Para que o Espírito Santo possa cumprir com sua função,  é necessário que nos entreguemos totalmente a Ele e deixemo-nos conduzir docilmente por suas inspirações, para que possamos nos aperfeiçoar e crer todos os dias na santidade. 

2.  O Espírito Santo mora em nós:  Em João 14, 16, encontramos a seguinte passagem:   Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco”. Também  em I Coríntios 3, 16:  Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.  E por esta razão é que devemos respeitar nosso corpo e  nossa  alma. Está em nós, porque é o “doador da vida” e do amor.  Se nos entregarmos à sua ação amorosa e santificadora,  fará maravilhas em nós.  

3. O Espírito Santo ora em nós: Necessitamos de  um grande silêncio interior e de uma profunda pobreza espiritual para pedir que ore em nós o Espírito Santo. Deixar que Deus ore em nós sendo dóceis ao Espírito. Deus intervém por aqueles que o amam.
4. O Espírito Santo nos leva a verdade plena: Ele nos fortalece para que possamos ser testemunhas do Senhor, nos mostra a  maravilhosa riqueza da mensagem cristã, nos enche de amor, de paz, de gozo, de fé e crescente esperança. 

O Espírito Santo e a Igreja: 
Desde a  fundação da  Igreja no dia de Pentecostes, o Espírito Santo é quem a constrói, anima e santifica, lhe dá vida e unidade e a  enriquece com seus dons. 

O Espírito Santo segue trabalhando na Igreja de muitas maneiras distintas, inspirando, motivando e impulsionando os cristãos,  em forma individual ou como Igreja num todo, ao proclamar a Boa Nova de Jesus. 

Por exemplo, inspira ao Papa a levar suas mensagens apostólicas à humanidade;  inspira o bispo de uma diocese a promover determinado apostolado, etc.
O Espírito Santo assiste especialmente  ao Representante de Cristo na Terra, o Papa, para que guie retamente a Igreja e  cumpra seu trabalho de pastor do rebanho de Jesus Cristo.

O Espírito Santo constrói, santifica, dá vida e  unidade à Igreja.

O Espírito Santo tem poder de nos animar e nos santificar e lograr êxito em nossos atos que, por nossas forças, jamais realizaríamos.  Isto o faz  através de seus sete dons.Por isso peçamos sem cessar a força e o auxilio do Santo Espirito a nós. 
              
ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO

Vinde, Espírito Santo,
enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do Vosso amor.
Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado,
e renovareis a face da terra.

Oremos
Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com
a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas
segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação.
Por Cristo, Senhor nosso.
Amém.