Membros do Blog Filhos da Misericórdia...participe também!

Mostrando postagens com marcador Estudos da Bíblia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estudos da Bíblia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sede do Deus Vivo



“A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Salmo 42,2)

Um sábio estava a meditar na margem de um rio quando um homem jovem, um tanto entusiasmado, o interrompeu:
-"Mestre, desejo ser seu discípulo!", disse o jovem.
-"Por quê?", replicou o sábio.
O jovem era uma pessoa que desde sempre ouviu falar dos caminhos espirituais e tinha uma ideia fantasiosa e romântica deles. Na sua imaturidade, achava que ser "espiritual" era algo como participar de um movimento, de uma crença, de uma moda, sem grandes consequências. Então pensou numa resposta bem "profunda" e disse:
-"Porque eu quero encontrar DEUS!"
O sábio saltou de onde estava, agarrou o rapaz, arrastou-o até ao rio e mergulhou-lhe a cabeça na água. Manteve-o lá durante praticamente um minuto, sem permitir que este respirasse, enquanto o terrificado rapaz lutava para se libertar. 


Finalmente, o mestre puxou-o da água e arrastou-o de volta à margem. Largou-o no chão, enquanto o jovem cuspia água e engasgava-se, lutando para retomar a respiração e entender o que acontecera. Quando se acalmou, o sábio perguntou-lhe:
-"Diz-me: quando estavas na água, sabendo que poderias morrer, o que mais desejaste acima de tudo?"
-"Ar!", respondeu o jovem, amuado.
-"Muito bem", disse o mestre. "Vai para casa, e quando souberes ansiar por um Deus tanto quanto acabaste de ansiar por ar, podes voltar a procurar-me". 

Ter sede, assim como respirar, é uma necessidade vital e urgente do homem, talvez uma das mais urgentes, pois podemos passar dias sem comer, mas sem beber água não.Hoje, na minha oração pessoal tive sede, e quando ia beber água parei de repente e me perguntei: "Eu tenho sede de Deus?". 
Essa pergunta aparentemente simples me deixou perplexo diante dessa questionamento, que com absoluta clareza, foi gerado em minha mente pelo Espírito Santo.Voltei a minha oração, e procurei abri a Palavra, e qual não foi minha surpresa, abri bem no Salmo 42, e meus olhos bateram em cima dos versículos que diziam:

"Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo…"Salmo 42,1-2 

 

Esses versículos encheram meu coração de uma grande alegria, e experimentei uma indescritível presença de Deus. Comecei a dizer como uma prece espontânea: "Deus, eu tenho sede de Ti, só Tu podes saciar-me... como a Corsa eu suspiro por Ti..." Que águas deliciosas essas que fluem do nosso Deus e saciam por completo a alma, que como andarilha num ardente deserto, anseia mais que tudo por água...




Esse salmo me levou a mergulhar na necessidade que nossa alma tem de Deus.Talvez Davi tenha visto uma corsa bebendo água de um pequeno e raro córrego no meio do deserto.Pode ser que esse tenha sido o sinal que o levou a meditar Talvez tenha dito em seu coração: “É exatamente assim como eu me sinto. Meu coração está sedento! Minha alma anseia por Deus”!.


Santo Agostinho essa frase que é meu lema de vida: "Senhor, Tu nos criaste para Ti, e inquieto está nosso coração enquanto não descansar em Ti".

 

Algumas vezes, quando estou inquieto (na maioria das vezes, hehehehe) pergunto-me: “Estou precisando de algo, o que será?". Então eu vou a cozinha e faço um ou talvez dois mixtos quentes. Depois percebendo que só aquilo não me satisfez, não me aquietou. Ligo então a TV e assisto um noticiário, ou abro um livro. 



Mas, quando eu finalmente me dou conta, eu desligo a TV e ponho os mixtos de lado e digo “Senhor, o que eu realmente preciso é de estar perto de Ti !” E então, certo como 2 e 2 são 4, eu fico verdadeiramente satisfeito e completo.

Se sua alma anda com "sede", sentindo-se vazia, solitária, talvez seja porque você anda bebendo de "águas" que não o saciam, em lugares que não o levam as verdadeiras águas, tentando encontrar satisfação no mundo.


Embora nem todos possam estar conscientes disso, a verdade é que, Deus é o que cada alma anseia. Jesus, em seu diálogo com a Samaritana, também falou de água, a Água da Vida.Disse que quem bebesse dessa água jamais teria sede. ( João 4,14) 

E muito mais que isso. Não somente nós temos sede de Deus, mas Ele também tem sede de todos nós. Sim, Ele tem sede de você! Isto significa que Deus tem sede até mesmo daqueles criminosos endurecidos e pecadores, daqueles que o rejeitam, daqueles que o ferem. Esta sede de Deus evidenciou-se no brado de Jesus na Cruz: "Tenho sede"(Jo 19,28). 


Esta sede de Deus tem um nome bem definido. Chama-se MISERICÓRDIA! O desejo de Deus é sempre salvar! Deus quer beber de nossas almas, não importa quanta quão indignos somos. A sede de Deus por nós o atrai a nossa alma!

Deus anseia por um diálogo amoroso conosco. . . ou seja, Ele anela comunhão com nossas pobres e sedentas almas. Ele anseia por nós, como fazemos para com Ele. Nós temos sede de Deus, a água viva. Jesus diz, "mas quem beber da água que eu lhe dernunca mais terá sede, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna" (João 4,14). 

"Aquele que crê em mim, como diz a Escritura, 'do seu seio correrão rios de água viva (João 7,38)'.



Então nesse momento, corra para o Senhor. Beba Dele! Aproxime-se dele e ele irá se aproximar de você também. Essa não é uma promessa minha, mas Dele.

Um bom dia aos sedentos de Deus!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Jesus: o Deus dos "contrários"


No momento histórico no qual Jesus viveu, o povo de Israel estava prisioneiro do poder romano. Os judeus esperavam a vinda do Messias como o libertador, só que eles tinham um conceito errado de como o libertador apareceria. Eles o esperavam como um guerreiro dirigindo suas hostes militares para derrotar o Império Romano e estabelecer o Reino de Deus nesta terra. Eles esperavam um reino de luxo, de luzes, de glórias terrenas.


Mas Jesus veio de modo completamente diferente do que eles esperavam! Apareceu como uma criança indefesa. Nasceu numa manjedoura, rejeitado e desprezado pelos homens. Cresceu num subúrbio de Jerusalém, uma cidadezinha esquecida por todos. Passou quase toda a vida no oficio simples de carpinteiro...  Não era esse o tipo de libertador que o povo judeu esperava. 


Então, esse humilde Homem começou a chamar para ajudar a espalhar Seu reino nesta terra, pescadores, publicanos, cobradores de impostos... esse era o grupo de doze homens que o seguiam. Homens sem nenhum prestígio, em sua maioria néscios e pobres. 

Que escolha a de Jesus! Mas Ele realmente escolhe assim: o contrário do que esperamos. Os "contrários" de Jesus são muito engraçados. E sobre eles vamos meditar. Ah,  os bem-aventurados contrários de Jesus!
 
Jesus sempre conheceu todas as dúvidas que martelavam o coração de seus discípulos, todos os "porquês" que se escondiam em seu íntimo. 

 "Mas o maior dentre vós será vosso servo." (Mateus 23,11)

Ninguém quer, em nossos dias, ser o menor. Mas isso nem no tempo de Jesus também. Quem sabe alguns daqueles homens buscavam alguma vantagem por seguir aquele Rabi. Todos queriam ser os maiores, mas Jesus coloca uma filosofia contrária à filosofia daqueles  homens. 



"... o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve." (Lucas 22,26).
Realmente, Jesus era diferente. Parecia que tinha atração pelo que é vil, desprezado, humilde, simples... Ali, em Jesus, se revelava o Deus que se faz pequeno, e em sua grandiosidade, aniquila-se por Amor. Que loucura para a sabedoria humana! Esta lógica de Jesus era assustadora para quem era ávido em ser grande. Por isso mesmo era sempre desafiador dialogar com Ele.


Certa vez, Jesus apresentou-lhes a parábola da semente de mostarda, que certamente os deixou ainda mais confusos:

"Jesus propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, e, crescida, é maior do que as hortaliças, e se faz árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus ramos."  S. Mateus, capítulo 13,31- 32.

Como esta comparação deve tê-los deixado no mínimo intrigados! Eles conheciam bem quão pequena era a semente de mostarda, e quão frondosa era a mostardeira depois de grande. Quantas vezes até mesmo algum deles deve ter repousado sobre sua sombra. Se o Reino do céu é como esta semente, então seu início é insignificante, e as vezes até desprezado pelos homens, mas depois que este cresce no coração humano é capaz de abrigar em seus galhos toda a humanidade.



 Jesus quis fazê-los perceber que o Reino de Deus não pode ser olhado com os olhos humanos, que buscam o que é grandioso, brilhante, mas com os olhos da fé, com o olhar de Deus, que é especialista em esconder grandiosas realidades em coisas pequeninas, e tantas vezes, esconder-se nelas também. O reino dos homens é feito de luzes, pompa, luxo, poder e forças militares. O Reino de Deus é como a semente de mostarda, pequena, desprezada, rejeitada.
 
O Reino de Deus é comparado sempre a coisas pequenas.A semente é pequenina, mas traz dentro de si toda a vida da grande árvore. Quando ela cai no solo tem que deixar de ser semente para virar planta, e assim, "morrendo", nasce uma nova vida de dentro dela.Para Jesus está é a suma verdade de nossa existência. 


A morte é necessária para que brote a Vida. Aquele que quer encontrar a realização pessoal tem que renunciar a si mesmo, esvaziar-se, abaixar-se até doar-se por inteiro, até o fim. 


A inclinação ao pecado sempre faz o homem buscar-se a si mesmo. Em seu egoísmo, homem deseja somente satisfazer suas vontades. Mas Jesus nos diz com desconcertante clareza: "... Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo..." (Mateus 16,24)
 
Para seguirmos a Cristo faz-se necessário seguir a contra-mão do mundo. A sabedoria de Cristo nunca se adequou com a filosofia dos homens. Os homens, para vencer, matam. Cristo para vencer, morre. Os homens para se realizarem, pisam, humilham, enganam. Cristo para se realizar, renuncia a Si mesmo, dá-se por inteiro. Esta é a sabedoria da Cruz, que é uma loucura para os que se perdem , mas que é salvação para os que compreendem a lógica de Cristo.



Para participarmos do Reino de Deus temos que pedir ao Espirito Santo que retire de nós a mentalidade do mundo. Temos que estar dispostos a sermos enterrados como o grão de mostarda para renascermos, para quebrarmos a crosta da terra e ressurgirmos para uma nova vida. 



Você quer participar do Reino de Deus? Não tenha medo quando as pessoas rirem de você, fizerem pouco caso ou o ridicularizarem por causa de sua fé. Não tenha vergonha quando o humilharem, quando você, às vezes, tiver que perder o emprego por causa dos princípios que conhece, quando você tiver que ser honesto em meio a um mundo corrupto. Não tenha medo porque o Reino de Deus sempre andará na contramão da vida.É o Reino do contrário!


Ao apresentar a parábola da semente de mostarda o Senhor Jesus está falando a nós que não desistamos de cultivar o céu em nós, de lutarmos pelo nosso sim, que começa tão pequenino. Ele nos diz: "Persevere, pois um dia esta pequena semente do seu sim será uma grande árvore, e dará frutos cem por um."

 


Ele olha pra você e diz: "Deixe Eu ser o seu agricultor e plantar meu Reino em você." Você aceita?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O TOQUE DA MISERICÓRDIA: Meditação sobre a cura do leproso

 

"E eis que um leproso, tendo-se aproximado, prostrou-se diante Dele, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me."Mateus 8,2 


 

Aquele leproso sabia que não deveria se aproximar de Jesus. Na verdade, sabia que a Lei o proibia de se aproximar de quem quer que fosse.Ele sabia quem era.Ou, ao menos quem o Mundo dizia que ele era: Um leproso imundo,um indigno, um excluído.



Sua Lepra trazia consigo uma Condenação: A solidão de nunca tocar ou ser tocado por ninguém.Ele havia perdido a família, tornara-se abominável aos vizinhos. Seus Amigos o abandonaram. Algo, porém, lhe dizia que Jesus talvez agisse de forma diferente.
 

Afinal, aquele tal Jesus era tão... acessível! Jantava com fariseus, consolava prostitutas, abraçava crianças.

 
Quem sabe não haveria um lugarzinho para alguém como... ele?Bem, ainda que não houvesse, ele iria tentar. Ainda que ele pudesse ser humilhado, ele iria tentar. Mesmo que fosse a última coisa que fizesse, ele iria tentar.

Embora sua pele estivesse morrendo, sua esperança ainda estava viva. Portanto, ele iria tentar.

 
Agachado atrás de alguns caixotes, ele vê Jesus passar pela rua, cercado por dezenas de pessoas. Era agora ou nunca!

O “Imundo” respira fundo... 3, 2, 1... Ele se levanta e corre. E, mal acreditando em si mesmo, rompe a multidão e ajoelha-se diante do Mestre.


 
Não demora muito para o reconhecerem... - É o leproso! - Grita alguém. - O Leproso está à solta! O pânico se instaura. Todos correm de um lado para o outro, temendo a presença do “Imundo”.

Em meio à toda a algazarra, porém, Jesus se mantém em silêncio, encarando o homem aos seus pés.O leproso, por sua vez, fecha os olhos e diz:

- Senhor, se quiseres, podes me purificar.

 

Não se tratava de um simples pedido.Era uma mescla de desabafo e confissão.Ele sabia que Jesus era o Senhor, por isso estava ali ajoelhado em atitude de adoração, e também de arrependimento, de reconhecimento de seu pecado e de sua miséria.

 

Sabia que Jesus poderia curá-lo, só não sabia se Ele quereria fazê-lo.Haveria lugar para alguém como ele no coração de Cristo?

Durante mais alguns segundos, Jesus continua em silêncio. O que Ele faz a seguir, porém, vale muito mais do que palavras. Jesus o toca!

As mãos fortes e calejadas do Carpinteiro de Nazaré acariciam sua face devorada pela doença. Naquele momento a misericórdia toca a lepra da humanidade e a cura.
 

(Por favor, não perca este momento: Deus está fazendo carinho em um de seus filhos.)Os olhos do leproso se abrem. E o Imundo restaurado esboça um sorriso.

Jesus o imita.E em seguida decreta:- Sim, eu quero. Fique limpo de sua lepra!

E é isso. Num estalar de dedos, anos de sofrimento se esvaem. As manchas se vão. E são substituídas por um novo coração.


Jesus sorri novamente, aperta a bochecha agora limpa e continua a caminhar. E, de pé, o ex leproso descobre algo:

Todos possuem um lugar. Todos, absolutamente todos, podem ser tocados.E o Mundo inteiro precisava saber disso... Ele quer,repito, Ele quer!

 

Seja qual for a sua Lepra, Jesus quer purificá-la. Ele toca nos Intocáveis. E cura os irrecuperáveis. Seu grande hobby é amar os desprezados. E sei que, de alguma forma, isso serve para você, como serve para mim também.



Onde seus pais erraram, Ele acertará. O que aquela pessoa não fez, Ele fará. E onde ninguém te levou, Ele levará. Sempre haverá lugar para você no Coração de Deus.



Acredite: Ele quer...


Quer te ver sorrindo. 


 

Quer te ver cantando. 


 
Quer te ver acreditando novamente em seus sonhos. 


Para isso,como o leproso, ajoelhe-se diante Dele. 


 

Entregue sua sujeira. 



E Ele a tomará para si e o limpará

Nas águas da Sua misericórdia infinita.


Deus está fazendo um carinho agora em você. Aceite! Ele quer fazê-lo feliz agora.

UM BOM DIA PRA VOCÊ!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Um estudo sobre o perdão à luz da Misericórdia Divina





O perdão é a expressão máxima da Misericórdia de Deus. Ele é a força capaz de fazer com que se restabeleça a união entre Deus e o pecador - tanto pessoal como comunitariamente - readmitindo-o na sua comunhão vital. Precisamente na graça do perdão, o Deus "zeloso"(Ex 20,5) se mostra um Deus MISERICORDIOSO. 

Mesmo com as constantes rupturas da aliança, devido as infidelidades e traições do Povo (Ex 32,30-32), o Senhor não abandona Israel, mas se faz conhecer mais intimamente como Deus "de ternura e de piedade, lento para a cólera, rico em amor e fidelidade"... (Ex 34,6).



Realmente, no decurso de sua história, Israel, tanto em momentos de desgraça como ao tomar consciência do próprio pecado, continuamente se entregou confiantemente ao Deus das misericórdias. Na misericórdia do Senhor para com o seu Povo manifestam-se todos os matizes do AMOR: Infinito, Imutável, Fiel,Constante, Misericordioso...


Em Jesus a revelação da misericórdia divina chega a seu ponto culminante: O Pai revelado por Cristo é um Deus cuja alegria consiste em perdoar (Lc 15,1-31) e não quer que nenhum dos seus filhos se percam (Mt 18, 12-14).

Deus está sempre pronto a perdoar! Ele não se prende a emoções, ou muito menos pensa em Si para sentir-se ofendido a ponto de fechar-se ao perdão. Ele sempre é ABERTURA, e por isso, perdão absoluto.Mas para que esse perdão se plenifique, Deus nos coloca uma condição para recebermos esse perdão, a condição de que o pecador queira também abrir-se ao perdão e aceitar a proposta de vida nova (Lc 18,13), fruto da reconciliação, e perdoar seu semelhante.



Na postagem anterior estudamos a profunda teologia contida na oração do Pai-Nosso. Nele, a petição pelo perdão contém dois elementos: de um lado, pedimos ao Pai Misericordioso a graça de seu perdão; de outro, expressamos nossa disposição a perdoar as culpas alheias.


Há uma íntima correlação entre o perdão recebido de Deus e o perdão concedido ao próximo. No amor que o discípulo do Senhor manifesta para com o seu irmão que "está em dívida" com ele, está o testemunho autêntico do amor que ele mesmo recebeu de Deus, quando seus pecados foram perdoados: "Perdoai e vos será perdoado" diz Jesus (Lc 6,37). Assim, o entrelaçamento dos dois perdões, o Divino e o humano, dá-nos a garantia certeira de que o Pai nos perdoará sempre, desde que nós estejamos dispostos a conceder o perdão ao próximo.

O Senhor o confirma inequivocadamente:" Com a medida com que medirdes sereis medidos" (Mt 7,2) e esta deve ser - seguindo o exemplo de nosso Pai misericordioso - "uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante" (Lc 6,38). 

A parábola do "devedor implacável" (Mt 18,23-35) esclarece essa lógica evangélica: o perdão solicitado a Deus não se concretiza com a recusa do perdão ao nosso semelhante. Ambos são intrinsecamente associados, de modo que o Senhor pôde ensinar que o amor a Deus e ao próximo se identificam (Mt 22,39). São Paulo o diz categoricamente: "...como o Senhor vos perdoou, assim também fazei vós" (Cl 3,13). Em outra epístola diz: "Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros como também Deus, em Cristo, vos perdoou" (Ef, 4, 32).




O perdão recebido do Pai deve dispor o discípulo a perdoar seu próximo, sendo precisamente este a autenticação prática do perdão recebido de Deus. Assim, o perdão divino não é condicionado pelo perdão humano, mas a súplica a Deus seria hipócrita se não nascesse de um coração pronto a perdoar seu irmão.


O perdão do Alto, inteiramente gratuito, desinteressado e total, se faz, efetivamente, fonte e modelo do perdão que se dá aos outros. Perdoar o irmão - movido por misericórdia- torna-se um indicador seguro da eficácia da Graça que o perdão de Deus operou em nós.


 Sem o perdão sincera e generosamente oferecido aos irmãos, nenhuma fraternidade se constrói e, menos ainda, subsiste. O perdão constitui o coração vivo de uma comunidade cristã, que se reconhece como "comunidade de Jesus": O perdão de Deus restabelece a comunhão vertical para o Alto; o perdão que damos aos que nos tem ofendido conserta a comunhão horizontal, para com os irmãos.




Não há limites para o perdão cristão. Assim o faz entender o evangelista Mateus no contexto literário que precede sua redação do Pai-Nosso: 


" Ouviste o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu porém, vos digo: não resistais ao homem mau; antes, àquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda; e àquele que quer pleitear contigo para tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste; e se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas. " (Mt 5, 38-41).E conclui: "...amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque Ele faz nascer o Sol  igualmente sobre os maus e os bons e cair a chuva sobre os justos e sobre os injustos. Com efeito se amais aos que aos que vos amam que recompensa tereis?Não fazem também os publicanos a mesma coisas? E se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem também os gentios a mesma coisa?Portanto, deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito" (Mt, 5, 44-48)


Podemos perguntar quem tem a ousadia de nos deixar esta recomendação, este mandamento. Quem, nos conhecendo minimamente, nos recomenda que amemos os nossos inimigos, quando já é tão difícil perdoar qualquer coisa que nos ofenda?

Olhando com lucidez para este mandamento e a sua exigência não podemos deixar de assumir que de fato só Cristo nos podia deixar este preceito, só aquele que inocentemente foi crucificado, o verdadeiro inocente, é que tinha o direito de nos deixar esta recomendação.


E isto porque também só ele teve o conhecimento profundo e total de como o perdão até ao limite último do amor é libertador, só ele sabe o quanto o homem é capaz de realizar no caminho do bem, só ele conhece na maior profundidade e verdade a grandeza do homem e a potencialidade de santidade que o habita.

Como verdadeiro Deus e verdadeiro Homem esse conhecimento é pleno e total.
E por isso o mandamento não é nada de exorbitante, de impossível, bem pelo contrário, é mais um meio colocado ao serviço do homem para avançar na semelhança com Deus, com o seu Criador e Salvador.
 
Filhos adotivos, pela graça obtida por Jesus, somos chamados a viver essa radicalidade divina, a fazer essa experiência de nos aproximarmos cada vez mais da perfeição do Pai que perdoou os pecados dos homens através da entrega do seu Filho bem amado, somos convidados a assemelhar-nos cada vez mais ao Pai.


Um Pai que apesar das nossas fragilidades e infidelidades acredita que somos capazes acredita em nós até ao ponto de nos propor o aparentemente impossível, ainda que possível para aqueles que amam como o Pai.

Cabe-nos assim, a cada um de nós, procurar não decepcionar esta confiança e fé que o Pai coloca em nós através desta proposta radical de Jesus.