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sábado, 2 de julho de 2011

A festa do Imaculado Coração de Maria

Na Sagrada Escritura, a palavra "coração" é a base da relação moral-religioso humano com Deus



O coração é o centro de toda a vida espiritual do homem é a fonte da vida, memória, pensamento, portanto, ele representa toda voda interior do homem: o coração é entendido como um lugar de encontro com Deus!



O termo "coração imaculado", aplicado a Maria se tornou de uso comum com a definição do dogma da Imaculada Conceição e alcançou seu auge no ano 1942-1952, por causa dos acontecimentos de Fátima, que levaram à consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, que foi seguido por uma multidão de outras consagrações por instituições e indivíduos.


 
Devoção ao coração de Maria tem o singular privilégio de poder contar com dois textos-chave do Novo Testamento. São eles: "Maria, por sua vez, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração" (Lucas 2,19), "Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração" (Lc 2,51).



 
Nesses dois textos vemos a profundidade da união de Maria com a Vontade de Deus e a associação do seu coração Imaculado ao de seu Filho.  

Tudo o que diz respeito ao Filho tem lugar no coração e na alma da Mãe! Maria como que inclinando-se nas profundezas do seu coração, escuta e aprofunda a Palavra de Deus, o Verbo Eterno que já a habita totalmente!





Aqui nesses textos vemos a atitude contemplativa de Maria relacionada aos mistérios da vida de Jesus: podemos pensar em Maria, que, após o anúncio do anjo, e questionando a vontade de Deus a respeito dele e repete a resposta de aceitação: "Faça-se em mim segundo tua Palavra"(Lc 1,37).

É a oração da plena adesão do Coração de Maria à vontade de Deus!
Assim, somos ensinados que meditar todas as coisas 'dentro' do nosso coração. Devemos guardar como num cofre, as palavras e ações do Senhor em nossa vida, fazendo um compromisso permanente da fé cristã, o nosso "fiat" diário, para todos, a qualquer momento e em qualquer lugar. Isso é configirar-nos ao coração de Maria.


 
A atitude de Maria de meditar e guardar tudo em seu coração nos inspira em nossa fé, quando o golpe das provações e os ventos das tempestades fazem-nos achar que tudo está acabado, devemos nos apoiar na memória do que o Senhor tem feito em nossas vidas.

Ah! Como devia ser profundo o olhar de Maria para dentro de seu próprio Coração, pois lá, estava Jesus, Verbo Encarnado.



Naquele tempo, Jesus vivia em Maria e, em certo sentido, fazia parte dela; o Seu coração estava junto ao de Maria. Naquele tempo, Maria vivia em Jesus porque Ele era o seu tudo; o coração de Maria estava junto do coração de Jesus e dava-lhe vida. Naquele tempo, Jesus e Maria não eram mais do que um só, vivendo na terra. O coração de um vivia e respirava apenas em função do outro.

Estes dois corações, tão próximos e divinos, vivendo juntos com ânimo tão elevado, o que não serão um ao outro, o que não farão eles um com o outro? Só o amor o pode calcular, o amor divino e celeste, o próprio amor de Jesus.Isso nos faz exclamar, olhando para o Coração Imaculado de Maria e lá vendo o Coração de Jesus: "Ó coração de Jesus vivendo em Maria e por Maria! Ó coração de Maria vivendo em Jesus e por Jesus! Ó excelente união dos dois corações!"





 
O coração da Virgem foi o primeiro altar sobre o qual Jesus ofereceu em Hóstia de louvor perpétuo o Seu coração, o Seu corpo e o Seu espírito, sobre o qual Jesus ofereceu o Seu primeiro sacrifício e fez a primeira oblação perpétua de Si próprio.
A festa litúrgica do Coração de Maria passou por muitas vicissitudes. De acordo com a história, houve primeiramente uma devoção privada ininterrupta, que não chegou a formas públicas oficiais.

Efetivamente, a primeira festa litúrgica do Coração de Maria foi celebrada a 8 de Fevereiro de 1648, na diocese de Autun (França). Em 1864, alguns bispos pedem ao Papa a consagração do mundo ao Coração de Maria, aduzindo como justificativa e motivo a realeza de Maria. 
O pedido decisivo partiu de Fátima e do episcopado português.
Inesperadamente, a 31 de Outubro de 1942, Pio XII, na sua mensagem radiofónica em português, consagrava o mundo ao Coração de Maria. 



O Papa Paulo VI, a 21 de Novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II, renovava, na presença dos padres conciliares, a consagração ao Coração de Maria feita por Pio XII. 
Mais recentemente, João Paulo II, no fim de sua primeira encíclica, “Redemptor Hominis” (4 de março de 1979), escreveu um significativo texto sobre o Coração de Maria. 
Ao tratar do mistério da redenção diz o Papa: “Este mistério formou-se, podemos dizer, no coração da Virgem de Nazaré, quando pronunciou o seu “fiat”. A partir de tal momento, este coração virginal e ao mesmo tempo materno, sob a ação particular do Espírito Santo, acompanha sempre a obra do seu Filho e dirige-se a todos os que Cristo abraçou e abraça continuamente no seu inesgotável amor. 
E por isso este coração deve ser também maternalmente inesgotável. A característica deste amor materno, que a mãe de Deus incute no mistério da redenção e na vida da Igreja, encontra sua expressão na sua singular proximidade do homem e de todas as suas vicissitudes. Nisso consiste o mistério da mãe”.





A Exortação Apostólica “Marialis cultus” (2/2/1974), do Papa Paulo VI inclui a memória do Coração Imaculado da bem-aventurada Virgem Maria entre as “memórias ou festas que ... expressam orientações surgidas na piedade contemporânea”, colocando-a no dia seguinte à solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus.

Essa aproximação das duas festas (Sacratíssimo Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria) faz-nos voltar à origem histórica da devoção: na verdade, São João Eudes, nos seus escritos, jamais separa os dois corações. Aliás, durante nove meses, a vida do Filho de Deus feito carne pulsou seguindo o mesmo ritmo da vida do coração de Maria. Mas os textos próprios da missa do dia destacam mais a beleza espiritual do coração da primeira discípula de Cristo.

Ela, na verdade, trouxe Jesus mais no coração do que no ventre; gerou-o mais com a fé do que com a carne! De acordo com textos bíblicos, Maria escutava e meditava no seu coração a palavra do Senhor, que era para ela como um pão que nutria o íntimo, como que uma água borbulhante que irriga um terreno fecundo. 

Neste contexto, aparece a fase dinâmica da fé de Maria: recordar para aprofundar, confrontar para encarnar, refletir para atualizar.




Maria nos ensina como hospedar Deus, como nutrir-nos com o seu Verbo, como viver tentando saciar a fome e a sede que temos dele. Maria tornou-se, assim, o protótipo dos que escutam a palavra de Deus e dela fazem o seu tesouro; o modelo perfeito dos que na Igreja devem descobrir, por meio de meditação profunda, o hoje desta mensagem divina.
Imitar Maria nesta sua atitude quer dizer permanecermos sempre atentos aos sinais do tempos, isto é, ao que Deus vai realizando na história por trás das aparências da normalidade; em uma palavra, quer dizer refletir, com o coração de Maria, sobre os acontecimentos da vida quotidiana, destes tirando, como ela o fazia, conclusões de fé.

Ajuda-nos, Mãe, a meditar e guardar todas as coisas de Deus em nosso pobre coração.

Imaculado Coração de Maria, sede toda nossa alegria!

2 comentários:

Anderson disse...

Muito lindo o blog...
estão de Parabéns!
por favor anunciem também meu blog:
andersonribeiro18.blogspot.com.br

Obrigado!

Jean disse...

Através do SIM o Espírito Santo colocou Jesus no ventre de Maria. Mas, parece-me que Jesus resolveu fazer-se presente não só em seu ventre, mas eternamente em seu coração. Jesus sabia que encontraria muito conforto e acolhimento lá. Sabia que aquele refúgio seria capaz de comportá-lo e suportar a sua vinda ao mundo e o que ela traria consigo.
Não tinha como não haver uma proximidade tão próxima, um vínculo tão forte, um movimento de amor tão intenso...
No fim são dois corações que se deram inteiramente um ao outro.

"Ela, na verdade, trouxe Jesus mais no coração do que no ventre; gerou-o mais com a fé do que com a carne!"

Jean.