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domingo, 8 de maio de 2011

Nas chagas do Crucificado encontro Graça e Misericórdia



“Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele. Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas” (Isaías 53, 3-5).
  
  A Cruz foi o remédio que Deus, em sua Misericórdia concedeu a humanidade chagada mortalmente pelo pecado.As Santas chagas de Jesus curaram nossas feridas:



“Abriu-lhe o lado com uma lança” (Jo 19,34);Quero falar especialmente de uma: A chaga do Coração de Jesus, da qual nasceu a Igreja e os seus sacramentos, da qual jorram todas as graças da salvação, simbolizada no antigo testamento pela costela de Adão, da qual saiu a mãe de todos os viventes. Desta chaga do lado de Cristo nasce a Mãe de todos os crentes: A Igreja!



Santo Agostinho escreveu sobre o lado aberto de Cristo: (de Sto. Agostinho, in Joannem , 120):

“O evangelista serviu-se de uma palavra atenciosa. A fim de não dizer: transpassou ou feriu, escreveu “abriu o seu lado” (Fazendo ver que) aí se descerrou como que a porta da vida, da qual jorraram os sacramentos da Igreja, sem os quais não há acesso àquela vida que é a verdadeira.

Aquele sangue foi derramado pela remissão dos pecados, e aquela água mistura-se ao cálice da salvação. É lavacro e bebida. Foi pré-figurado pela porta que Noé foi mandado fazer no lado da arca, pela qual entraram os seres que não deveriam perecer pelo dilúvio, figurando a Igreja.

 Por isso, a primeira mulher foi feita do lado do homem adormecido, e foi ela chamada vida e mãe de todos os viventes… O segundo Adão adormeceu de cabeça inclinada, a fim de criar-se uma esposa (aIgreja) que jorrou do costado do adormecido. Ó morte que faz reviver os mortos! Que sangue é mais imaculado que este? Que chaga mais salutar que esta?”


 

As chagas de Cristo sempre foram veneradas desde os primordios da Igreja. Já em Lc 24,36-48, Jesus apresenta aos discipulos reunidos suas santas chagas: “ ...Vede minhas mãos e meus pés... Mostrou-lhes as mãos e os pés... O Messias havia de sofrer (a Paixão e Morte) e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia”. A cruz de Cristo mudou o conceito do sofrimento e da morte: morrer é acabar de nascer; a dor e a morte são instrumentos da Redenção.


Jesus, ao aparecer Ressucitado da Morte, preservou em seu corpo glorioso as marcas da Paixão! Que grande mistério esse, pois nem a morte pôde vencê-lo, mas as marcas da Cruz permaneceram. Por que? Agora, estas marcas benditas não eram mais chagas de dor, mas pela infinidade de sua misericórdia, as chagas da humanidade se transformam em Cristo em feridas de amor.


Estigmas e Cruz, um só mistério. Não eram necessários, mas foram o meio mais eficaz para atrair o coração de cada um de nós (Jo 12,32), para compreendermos a gravidade do pecado (1Cor 15,3) e a dimensão de seu amor por nós (Jo 13,1).







O crucifixo é o compêndio da Paixão do Senhor, um “Livro escrito no lenho da cruz não com tinta, mas com o sangue das Chagas de Cristo” (Santa Catarina de Sena).



É o “Livro da Vida” (Ap 20,12), “escrito por dentro e por fora” (Ap 5,1), onde lemos a História da Salvação! “Por fora” conseguimos ler o que vemos na superfície: o abatimento físico, os escarros no rosto, a flagelação, a coroa de espinhos, os ferimentos provocados pelo carregamento do patíbulo, a boca seca, os sinais das varadas e chicotadas, a condição de cadáver, as cinco chagas das mãos, dos pés e do peito.









“Por dentro” só o lêem os contemplativos, os que captam as vibrações do Coração de Jesus refletindo seu infinito amor pelo homem decaído, a misericórdia pelos pecadores, a compaixão pelos doentes, a amargura do Getsêmani, a ternura pelas crianças, a amizade pelos seus mais íntimos, o amor à família, a tristeza por Jerusalém impenitente, a admiração diante da natureza, a preferência pela gente humilde. Exemplo de quem o lê por dentro é Pedro Crisólogo, um santo do século V. Meditando diante do crucifixo, ouviu Jesus sussurrar-lhe:





“Talvez os perturbe a enormidade dos meus sofrimentos causados por vocês. Não tenham medo. Esta cruz não me feriu a mim, mas feriu a morte. Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vocês. Estas chagas não me fazem soltar gemidos, mas introduzem mais intimamente vocês em meu Coração. Meu corpo, ao ser estirado na cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata os espaços do Coração para acolher vocês. Meu sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate!”

Conclusão:

O sacrifício de Cristo é a suprema Dádiva da Misericórdia!




O Mistério dos Sagrados Estigmas abre para nós estas fissuras na Rocha da qual a Igreja e seus sacramentos nasceram; a Chaga no Lado é vista como a abertura do Tabernáculo da Santíssima Trindade.

Como lemos no Evangelho do Segundo Domingo da Páscoa, “Domingo da Misericórdia” – quando Jesus mostrou Seu lado, Suas mãos e Seus pés, Ele soprou sobre os Apóstolos em um novo e mais sublime ato da criação: ‘Recebam o Espírito Santo… Aqueles cujos pecados vocês perdoarem, eles lhes serão perdoados…!


Este é o Deus de Amor Que vem a nós na mais sublime maneira possível para nós na Santa Comunhão: Deus é amor!

Um comentário:

Anônimo disse...

http://unijovemitac.blogspot.com/