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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Misericórdia é quando Deus entra na miséria do homem





Jesus convida os pecadores à mesa do Reino: "Não vim chamar justos, mas pecadores" (Mc 2,17). Convida-os à conversão, sem a qual não se pode entrar no Reino, mas mostrando-lhes, com palavras e atos, a misericórdia sem limites do Pai por eles e a imensa "alegria no céu por um único pecador que se arrepende" (Lc 15,7). A prova suprema deste amor ser o sacrifício de sua própria vida "em remissão dos pecados" (Mt 26.28).


Jesus escandalizou sobretudo porque identificou sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus para com eles. Chegou ao ponto de dar a entender que, partilhando a mesa dos pecadores, os estava admitindo ao banquete messiânico. Mas foi particularmente ao perdoar os pecados que Jesus deixou as autoridades religiosas de Israel diante de um dilema. Foi isto que disseram com razão, cheios de espanto: Só Deus pode perdoar os pecados" (Mc 2,7). Ao perdoar os pecados, ou Jesus blasfema - pois é um homem que se iguala a Deus -, ou diz a verdade, e sua pessoa torna presente e revela o Nome de Deus.

O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do "filho pródigo", cujo centro é "O pai misericordioso": o fascínio de uma liberdade ilusória, o abandono da casa paterna; a extrema miséria em que se encontra o filho depois de esbanjar sua fortuna; a profunda humilhação de ver-se obrigado a cuidar dos porcos e, pior ainda, de querer matar a fome com a sua ração; a reflexão sobre os bens perdidos; o arrependimento e a decisão de declarar-se culpado diante do pai; o caminho de volta; o generoso acolhimento da parte do pai; a alegria do pai: tudo isso são traços específicos do processo de conversão. A bela túnica, o anel e o banquete da festa são símbolos desta nova vida, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta a Deus e ao seio de sua família, que é a Igreja.

Só o coração de Cristo que conhece as profundezas do amor do Pai pôde revelar-nos o abismo de sua misericórdia de uma maneira tão simples e tão bela.

"Deus nos criou sem nós, mas não quis salvar-nos sem nós." (Santo Agostinho)
Ora, e isso é tremendo, este mar de misericórdia não pode penetrar em nosso coração enquanto não o deixarmos entrar e fazer Sua obra.

Ele quer entrar na sua vida, cabe a você abrir a porta do seu coração e deixar-se amar por este Deus Misericordioso.

Um comentário:

F.E. Adriano Pontes disse...

Ola, a paz de Cristo e o amor de Maria!

Show de bola o texto, me faz lembrar também sobre o livre arbítrio, que Deus tem uma vida plena para nós e essa vida é construída conosco, num ato de "trabalho em equipe", onde Deus faz a parte Dele nos dando tudo (refletindo o pai que deu a riqueza pro seu filho) mas espera uma resposta de nós (voltar pra Ele e viver com Ele, pois sem Deus não importa o quanto tenhamos, nada terá sentido e se tornará efêmero).

Um abraço, Deus abençoe!
E que tudo o que façamos seja em Deus!