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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um Deus "simpático" e a compaixão pela humanidade





Deus não é apático nem indiferente; é Deus “simpático”

Na encíclica Spe Salvi, o Papa Bento XVI oferece-nos uma página bela, densa e iluminante sobre a riqueza, a atualidade e o alcance do nosso tema:

(...) Na história da humanidade, cabe à fé cristã precisamente o mérito de ter suscitado no homem uma nova profundidade.

A fé cristã mostrou-nos que verdade, justiça, amor não são simplesmente ideais, mas realidades de imensa densidade.

Com efeito, mostrou-nos que Deus – a Verdade e o Amor em pessoa – quis sofrer por nós e conosco. S.Bernardo de Claraval cunhou esta frase maravilhosa: Impassibilis est Deus, sed non incompassibilis – Deus não pode padecer, mas pode compadecer(SOFRER COM).

O homem tem para Deus um valor tão grande que Ele mesmo se fez homem para padecer com o homem, de modo muito real, na carne e no sangue, como nos é demonstrado na narração da Paixão de Jesus. A partir daí entrou em todo o sofrimento humano Alguém que partilha o sofrimento e a sua suportação; a partir daí se propaga em todo o sofrimento a con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela da esperança” (n. 39).


O nosso Deus não é apático, indiferente à dor humana, mas Deus simpático, no sentido original do termo, que sofre conosco. A compaixão é a resposta de Deus à paixão do homem e manifesta-se de modo perfeito na cruz, como o afirma claramente Heb 4, 15:

"Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado."

"Poder-se-ia dizer: a cruz de Cristo é a compaixão de Deus com o mundo” (Bento XVI)

Existe uma só paixão e compaixão que é realmente redentora, a paixão e a compaixão de Deus: “Deus Amor que está na origem de todos os amores é atingido por todas as dores humanas e todas as vezes que o homem sofre, há uma ferida no amor de Deus” (M. Zundel).

A paixão de Deus é a “passio caritatis” ou “passio misericordiae” de que falava Orígenes, a capacidade infinita e indizível do seu amor de compadecer-se de quem padece e pôr-se a seu lado e no seu lugar.

Devemos, por fim, deixar-nos interpelar pelo significado da compaixão para uma espiritualidade cristã nos nossos dias e na cultura atual.

Também para o cristão de hoje, este é um caminho: partilhar o sofrimento dos outros e do mundo e testemunhar-lhes a luz da fé, da esperança e do amor.

Eis o desafio para o cristão e para a Igreja de hoje: Ser uma presença ativa da COM-paixão de Deus pela humanidade.

Um comentário:

F.E. Adriano Pontes disse...

Existe uma coisa superinteressante nisso: muitas pessoas confundem pena com compaixão. Compaixão não é sentir pena, quem senti pena se sente superior a pessoa que sofre. Na compaixão nos colocamos no lugar da pessoa, sentindo o que ela está sentindo, "partindo a lágrima ao meio e dividindo", como diz uma frase.

E se o homem consegue ter compaixão, quanto mais Deus, sendo Ele a misericórdia em pessoa!

Um abraço, Deus abençoe e guie!