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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Deus, rico em Misericórdia








O termo hebraico para misericórdia é hesed, que significa: “Deus vê a miséria do ser humano, vem ao seu encontro e o arranca daquela condição incômoda”. Em qualquer estado de miséria que alguém se encontre, seja por cansaço, doença ou desânimo, Deus o socorre. Sua bondade age diretamente sobre toda calamidade que possa nos atingir.

A compaixão é o primeiro passo em direção à misericórdia. Com+paixão significa sofrer com quem sofre. Mas, até aí, estamos, apenas, em sintonia com o outro. Talvez cheguemos à solidariedade. Mas, só atingimos a misericórdia quando nos empenhamos, de todos os modos, em resgatar a pessoa da própria situação que nos inspirou este sentimento. A compaixão se transforma em misericórdia através de um gesto positivo de auxílio.

“Deus é bom” - eis uma expressão que a Bíblia repete muitas vezes. Por isso, é próprio de sua essência vir em socorro de quem dele necessita. Segundo o pensamento da Antiga Aliança, a misericórdia caracteriza melhor Deus do que a justiça. Quando a justiça divina é aplicada, jamais contradiz a misericórdia e a eqüidade, pois o agir de Deus é sempre harmonioso.

A misericórdia, no contexto bíblico, está, freqüentemente, ligada ao perdão da culpa. Deus perdoa e vem ao encontro de quem fraquejou. Isto é profundamente consolador para todos nós, porque somos fracos por demais.

Não que Deus nos tenha criado assim, mas a herança que recebemos dos antepassados, a começar da primeira geração humana, deixou-nos enfraquecidos, pela rejeição da vontade de Deus, provocada pelo pecado original. Além disto, a sociedade em que vivemos nos induz à falsa perspectiva de que somos autônomos, quando, de fato não o somos, em muitas questões, especialmente de moral e de fé.

Em Jesus, a misericórdia divina se manifesta em plenitude. Ele tem um Coração humano, que experimentou o sofrimento de forma mais aguda do que qualquer um de nós. Portanto, conhece tudo o que sentimos, até a tristeza interior mais entranhada no profundo de nosso ser. O querido Papa João Paulo II escreve na Encíclica Dives in Misericordia - “Rico em Misericórdia” (1980):

“Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus, com a sua misericórdia, torna-se também particularmente visível; isto é, põe-se em evidência o atributo da divindade, que já o Antigo Testamento, servindo-se de diversos conceitos e termos, tinha chamado ‘misericórdia’. Cristo confere a toda a tradição do Antigo Testamento, quanto à misericórdia divina, sentido definitivo. Não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio encarna-a e personifica-a.

Ele próprio é, em certo sentido, a misericórdia. Para quem a vê nele — e nele a encontra — Deus torna-se particularmente ‘visível’ como Pai ‘rico em misericórdia’” (DM n°2).

Contemplemos alguns gestos de Jesus que, sendo Deus, revelou-se também como homem da misericórdia. O Evangelho de São Lucas está repleto destes exemplos, como a parábola do Bom Samaritano. Os samaritanos eram desprezados pelos judeus como gente inferior, estrangeiros miscigenados com povos de outras etnias.

E Jesus toma, como exemplo, justamente um deles, que vai ao encontro do homem, gravemente ferido num assalto. O sacerdote e o levita, manifestando mentalidade puramente legalista, passaram ao largo, para não se contaminarem no contacto com o homem machucado. Somente o samaritano foi capaz do gesto de misericórdia, oferecendo seus cuidados, seu tempo e seu dinheiro para a recuperação daquele desconhecido.

A palavra do Evangelho, que nos manda fazer o mesmo, é uma das grandes lições de Jesus (cf. Lc 10,30-37).
Outro exemplo é a parábola da ovelha perdida, que se desgarra, enquanto as outras 99 permanecem seguras no redil. O Coração do Bom Pastor, que são Lucas quer retratar, não repousa enquanto não completa o seu rebanho. Vai em procura da ovelhinha que faltava, e a carrega nos ombros, de volta para casa. A imagem mais bela desta cena é o júbilo com que a recebe de volta! É uma festa! (cf. Lc 15,3-7).

Não se pode deixar de lembrar a história do chamado filho pródigo, que eu prefiro qualificar de desnorteado, alguém que perdeu o rumo da própria vida, na expectativa enganosa de aproveitá-la ao máximo. Desbaratou sua fortuna, perdeu a dignidade, a casa e a família. Perdeu tudo, até se tornar um ser quase desumanizado.

Mas, importa concentrarmo-nos mais na figura do pai, que perscrutava a estrada, todos os dias, à espera do filho. Quando este se arrepende e volta, o pai o recebe de braços abertos, estreitando-o junto ao peito, apesar de toda a sujeira e miséria de que o filho está recoberto.

O amor paterno é que vai restaurá-lo, conduzindo-o de volta à antiga nobreza. Novamente, vemos a imagem da festa, sinal da imensa alegria daquele pai (cf. Lc 15,11ss).

A misericórdia é o amor operando de forma dinâmica. Na sua Encíclica Deus Caritas Est, o Papa Bento XVI aborda este tema, mostrando que o verdadeiro amor se irradia nas aplicações concretas:

"Toda a atividade da Igreja é manifestação de um amor que procura o bem integral do homem: procura a sua evangelização por meio da Palavra e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes heróico nas suas realizações históricas; e procura a sua promoção nos vários âmbitos da vida e da atividade humana. Portanto, é amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos homens” (n°19).

Embora o Sacramento da misericórdia seja, por excelência, a Reconciliação, podemos encontrar na Eucaristia o maior gesto de misericórdia de Cristo para com os homens. Ele começa, lavando os pés dos Apóstolos.

Depois, lhes dá seu próprio Corpo e Sangue, recomendando que esse gesto se estendesse pelos séculos em fora (cf. Jo 13,1-15 ; Lc 22,7-20).

Todos temos fome de Deus, do Infinito, dos valores perenes e transcendentes. O Corpo e o Sangue do Senhor são a comida e a bebida que nos saciam, pois, através deles, o Cristo faz sua do+ação, uma ação continuada de dar-se a todos que o procuram de coração sincero.

Não existe exemplo mais perfeito do amor, feito misericórdia.

Encontramos na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, um profundo ensinamento do Papa Bento XVI a este respeito. Dela extraímos a seguinte passagem: “As nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem conscientizar-se, cada vez mais, de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo aquele que acredita nele a fazer-se ‘pão repartido’ para os outros e, conseqüentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno” (n°88).

Um comentário:

lepesqueur_rrr7 disse...

Oi, me Chamo Daniel e estou divulgando meu blog, divulgue você também por favor. http://minhavidaecristo.blogspot.com
Deus abençoe!