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quinta-feira, 12 de abril de 2012

AMOR ESPONSAL: União entre Deus e a alma humana





Existe um amor que sobrepuja todos os outros, de beleza indescritível, forte e dominante, que o autor de Cântico dos cânticos louva: "Quão formosa e quão aprasível és, ó amor em delícias" (Cant 7, 7). É este o amor que Jesus concede à alma esposa, e é este o amor da alma sincera por Jesus. É inacreditável e maravilhoso que haja tal amor, que Jesus possa nos amar tanto!


Em nossa mente fria e calculista, é mais fácil compreender que Ele tenha vindo como Redentor, porque nós, criaturas corrompidas pelo pecado, precisamos de um Redentor, e é natural que lhe agradeçamos por isto. Sabemos, também, que Ele veio como médico para curar as enfermidades da nossa alma e do nosso corpo. 

Revelou-se, ainda, como o Rei dos reis, o Senhor de todas as hostes de querubins e de bilhões de anjos, o Soberano, vestido de majestade e poder divino, cujo mandato demônios fogem e as forças da natureza se submetem. Por todas estas coisas os povos de todos os tempos têm feito ouvir a sua gratidão, sua adoração, louvor e honra a Jesus, seu Redentor, Salvador, Senhor e Rei.

Fica além de nossa compreenção, porém, que Ele queira ser não apenas Rei, Senhor, Redentor e Salvador, mas Esposo de almas tão pecadoras. Está além da nossa imaginação que Ele mesmo queira atar os elos de amor com a alma ferida pelo pecado, como fazia com Israel, o seu povo escolhido, ao dizer: "Eu te desposarei para sempre, eu te desposarei na justiça e no direito, no amor e na ternura. Eu te desposarei na fidelidade" (Os 2, 21-22). 


Jesus, o Cordeiro, quer unir-se à sua Esposa, à Noiva do Cordeiro. Ele quer firmar os laços de amor com cada uma daquelas almas por quem Ele se entregou. Este elo, no entanto, pressupõe amor total e mútuo.

Aquele que nos amou e nos ama tanto, quer possuir-nos completamente, e agora o seu amor pede que nos rendamos a Ele, junto com tudo que somos e temos, para que Ele possa ser o nosso "primeiro amor". Se lhe oferecermos algo menor do que este "primeiro amor", que comporta dar-se inteiramente, se lhe oferecermos algo secundário e não o amor que tem prioridade sobre todos os outros interesses da nossa vida, Ele não o poderá aceitar.
Enquanto o nosso amor por Ele estiver dividido, enquanto permanecermos presos às criaturas, Ele não compreenderá nossa linguagem, uma vez que o único amor que Ele entende é aquele que se entrega plenamente, sem medidas, até a última consequência. 

 
O amor que o Amado espera de sua esposa é aquele representado pelo relacionamento de uma noiva com seu noivo, isto é, um amor afetivo, atencioso, fiel, terno. Um amor exclusivo, que coloca o Amado sobre todos os outros amores e interesses, que lhe dá o primeiro lugar e que está sempre em busca de demonstrar este amor com incansáveis manifestações de carinho e afeto.


Jesus tem o direito de fazer essa exigência, porque não há outro como Ele. Ninguém é tão cheio de glória, de beleza real, de semblante encantador, como Ele. Ninguém deu a vida por nós, a não ser Ele. Seu amor é tão dominante, tão carinhoso, tão íntimo, tão vivo e forte, que nenhum outro amor lhe pode ser comparado. Ninguém ama tão exclusivamente e se dá com tanta fidelidade e cuidado como Jesus. 


Ele sabe o que nos pode condecer com o seu amor, ele sabe como pode tornar feliz uma alma humana, e é por isso que Ele tem mil vezes mais direito para dizer: "Quero tudo, quero seu corpo e seu afeto, quero seu sorriso e sua vida, quero todo o seu amor, quero o seu primeiro amor, pelo qual você deixaria para trás todas as criaturas e coisas terrenas, da mesma forma que uma noiva deixa de lado todos os outros desejos, o amor e o conforto da casa paterna, e se for necessário, sua terra natal, para unir-se completamente ao seu esposo".

Jesus, em seu amor por nós, mostra-nos o caminho, o mesmo que Ele mostrou ao jovem rico. Para alcançar o bem precioso do amor esponsal, da união íntima com o Amado, da vida eterna, é preciso vender alguma coisa, ceder alguma coisa, na realidade é necessário vender tudo. Isto é inevitável, porque o amor divino é amor total, não se entrega pela metade, se entrega até a morte.
 
O jovem rico saiu triste porque possuia muitos bens, seu coração era pesado e por mais que fosse "obediente" aos mandamentos, nele não existia espaço para o amor, que é uma realidade exigente. E até hoje, nós que cremos somos, muitas vezes, tristonhos e deprimidos, incapazes de conhecer a Sua grande alegria, porque nosso apego às coisas terrenas, às pessoas, à honra, à nós mesmos, impede que amemos a Jesus com um amor total. Pois o Noivo é dono de toda a alegria, pois foi ungido com o óleo da felicidade como nenhum outro (Cf. Sl 45,7).
 
Jesus está diante de nós como alguém que suplica. Ele exige o nosso amor, quer ter domínio total sobre nós. Quer receber de nós o amor que na cruz nos deu. Não porque o seu amor não seja gratuito, mas porque sabe que nada pode nos dar mais felicidade que amá-lo dessa forma. Uma noiva não sente-se feliz e realizada ao render-se completamente, entregando seu corpo e sua vida, àquele que ama ? Então, como não se sentirá uma alma que se deu completamente a este Amor que queima até as entranhas e que é mais forte que a morte ? Seu amor é zeloso, porque é imenso e muito forte (cf. Ex 34, 14).
 
Possessão divina - que expressão bendita ! Deus tomou posse de mim, dominou-me por completo, conquistou-me por inteiro, amando-me tanto que não se deu por satisfeito até que eu me desse total e completamente a Ele. Pode existir felicidade maior que esta ? A Amado do cânticos dos cânticos não teme em afirmar que não, uma vez que "os amores" do Amado são mais deliciosos que o vinho dos prazeres.




Extraido de: http://www.comshalom.org/formacao/espiritualidade/o_segredo_do_amor_esponsal.html

Um comentário:

petra ariely disse...

É imenso, perfeito, admirável, inefável. A alma esposa desfalece de amar, enquanto Deus a ama mais fortemente. ambos ardem de amor o amor de Deus pela alma, e o amor de Deus na alma, que faz a alma queimar de amor.