"Sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso"(Mat 5,7).Um blog de Formações, imagens e orações, que tem como objetivo proclamar a misericórdia do Senhor...sejam todos bem vindos. JESUS, EU CONFIO EM VÓS!
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Confiar inteiramente na Misericórdia de Deus
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Deus é Pai
Caríssimos leitores do blog,
Nosso Papa Bento XVI nos convidou a confiar em Deus como Pai...na postagem a seguir ele fala maravilhosamente sobre a paternidade de Deus...para minha surpresa eu havia postado sobre a paternidade de Deus antes de saber dessa noticía...como Deus´PAI é providente...Coloco aqui, após a noticia sobre a mensagem do papa essa postagem, um pouco extensa, mas muito boa pra quem deseja mergulhar nesse maravilhoso amor do Pai. Por favor comentem...
Deus os abençoe,
Ir. Leo
Papa pede confiança em Deus Pai
VATICANO, 27 Fev. 11 / 12:43 pm (ACI/EWTN Noticias)
Ao presidir a Oração do Ângelus este domingo, o Papa Bento XVI assinalou que o cristão deve distinguir-se sempre por sua total e absoluta confiança em Deus, em sua providência que o guia a uma maior liberdade ante as coisas materiais e o afasta do “medo” ao futuro.
A pesar do frio do inverno romano, os fiéis se reuniram na Praça de São Pedro este meio-dia para rezar com o Santo Padre, quem explicou que para confiar em Deus é preciso seguir o exemplo do próprio Cristo.
O Papa ressaltou que o Evangelho de hoje convida “à confiança no incondicional amor de Deus” e por isso Cristo “exorta os seus discípulos a confiar na providencia do Pai celeste, o qual nutre os pássaros do céu e veste os lírios do campo e, além disso, conhece a nossa necessidade”.
“Mateus se exprime desta forma: “Não vos preocupeis, pois, dizendo: “O que comeremos? O que beberemos? O que vestiremos? De todas estas coisas vão à procura os pagãos. O vosso Pai celeste, de fato, sabe que haveis necessidade”, disse o Papa.
Bento XVI, consciente das dificuldades de muitos homens e mulheres no mundo, destacou que embora “defronte à situação de tantas pessoas próximas ou distantes que vivem na miséria, este discurso de Jesus poderia parecer pouco realístico, se não evasivo. Na realidade, o Senhor quer nos fazer entender com clareza que não se pode servir a dois senhores: Deus e a riqueza.”.
“Quem acredita em Deus, Pai cheio de amor pelos seus filhos, coloca em primeiro lugar a procura pelo Reino, pela Sua vontade. E isto é exatamente o contrário de um ingênuo conformismo. A fé na providencia, de fato, não dispensa a fadigosa luta por umavida digna, mas liberta da ansiedade pelas coisas e do medo do amanhã”.
“É claro que este ensinamento de Jesus, mesmo permanecendo sempre verdadeiro e válido para todos, é praticado em modos diversos pelas diversas vocações: um frei franciscano poderá segui-lo em maneira mais radical, enquanto que um pai de familia deverá dar conta dos próprios deveres em relação a mulher e aos filhos. Em todo caso, entretanto, o cristão se distingue pela absoluta confiança no Pai celeste, como fez Jesus”.
O Papa disse também que “justamente a relação com Deus Pai que dá sentido à toda a vida de Cristo, às suas palavras, aos seus gestos de salvação, até a sua paixão, morte e ressurreição. Jesus nos demonstrou o que significa viver com os pés bem plantados na terra, atentos às concretas situações do próximo e ao mesmo tempo conservando sempre o coração no céu e mergulhado na misericórdia de Deus”.
Finalmente animou os presentes a “invocar a Virgem Maria com o título de Mãe da Divina Providencia. À ela confiamos a nossa vida, o caminho da Igreja, os acontecimentos da historia. Em particular, invocamos a sua intercessão a fim que todos aprendamos a viver segundo um estilo mais simples e sóbrio, na cotidiana atividade e no respeito para com a criação que Deus confiou aos nossos cuidados”.
Falando em espanhol o Papa assinalou que “a liturgia deste dia nos exorta a confiar na providência divina; recordando-nos que somos amados por Deus e assistidos por seu auxílio. Eu vos convido a corresponder a este amor, à imitação da Virgem Maria, cuja existência terrena se mostrou sempre sob o sinal da gratuidade e do louvor, para que assim experimentem a paz verdadeira e a alegria autêntica. Feliz domingo”.
Conceitos sobre a Paternidade de Deus
O coração de Deus
Confiança
Valores
Afeição
Presença
Aceitação
Na Palavra, o profeta Sofonias descreve emoção semelhante, existente no coração de Deus com relação a nós:
Comunicação
Somente Deus é o Pai perfeito. Ele sempre disciplina em amor. É fiel, generoso, bondoso e justo, e almeja passar bastante tempo com você. Seu Pai celeste quer que você receba o Seu Amor e saiba que você é especial e singular aos olhos dele.
Faça a experiencia agora! Deixe-se amar por este Deus tão desejoso e dar-lhe todo o amor que você necessita. Ninguém pode substituir a figura do seu pai ou mãe terrenos, mas Deus é capaz de suprir essa necessidade do seu coração. Por isso abra-se a esse amor e você descobrirá como é belo o amor do nosso Pai do Céu.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Deixai vir a Mim as criancinhas



domingo, 20 de fevereiro de 2011
Deus, rico em Misericórdia
O termo hebraico para misericórdia é hesed, que significa: “Deus vê a miséria do ser humano, vem ao seu encontro e o arranca daquela condição incômoda”. Em qualquer estado de miséria que alguém se encontre, seja por cansaço, doença ou desânimo, Deus o socorre. Sua bondade age diretamente sobre toda calamidade que possa nos atingir.
A compaixão é o primeiro passo em direção à misericórdia. Com+paixão significa sofrer com quem sofre. Mas, até aí, estamos, apenas, em sintonia com o outro. Talvez cheguemos à solidariedade. Mas, só atingimos a misericórdia quando nos empenhamos, de todos os modos, em resgatar a pessoa da própria situação que nos inspirou este sentimento. A compaixão se transforma em misericórdia através de um gesto positivo de auxílio.
“Deus é bom” - eis uma expressão que a Bíblia repete muitas vezes. Por isso, é próprio de sua essência vir em socorro de quem dele necessita. Segundo o pensamento da Antiga Aliança, a misericórdia caracteriza melhor Deus do que a justiça. Quando a justiça divina é aplicada, jamais contradiz a misericórdia e a eqüidade, pois o agir de Deus é sempre harmonioso.
A misericórdia, no contexto bíblico, está, freqüentemente, ligada ao perdão da culpa. Deus perdoa e vem ao encontro de quem fraquejou. Isto é profundamente consolador para todos nós, porque somos fracos por demais.
Não que Deus nos tenha criado assim, mas a herança que recebemos dos antepassados, a começar da primeira geração humana, deixou-nos enfraquecidos, pela rejeição da vontade de Deus, provocada pelo pecado original. Além disto, a sociedade em que vivemos nos induz à falsa perspectiva de que somos autônomos, quando, de fato não o somos, em muitas questões, especialmente de moral e de fé.
Em Jesus, a misericórdia divina se manifesta em plenitude. Ele tem um Coração humano, que experimentou o sofrimento de forma mais aguda do que qualquer um de nós. Portanto, conhece tudo o que sentimos, até a tristeza interior mais entranhada no profundo de nosso ser. O querido Papa João Paulo II escreve na Encíclica Dives in Misericordia - “Rico em Misericórdia” (1980):
“Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus, com a sua misericórdia, torna-se também particularmente visível; isto é, põe-se em evidência o atributo da divindade, que já o Antigo Testamento, servindo-se de diversos conceitos e termos, tinha chamado ‘misericórdia’. Cristo confere a toda a tradição do Antigo Testamento, quanto à misericórdia divina, sentido definitivo. Não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio encarna-a e personifica-a.
Ele próprio é, em certo sentido, a misericórdia. Para quem a vê nele — e nele a encontra — Deus torna-se particularmente ‘visível’ como Pai ‘rico em misericórdia’” (DM n°2).
Contemplemos alguns gestos de Jesus que, sendo Deus, revelou-se também como homem da misericórdia. O Evangelho de São Lucas está repleto destes exemplos, como a parábola do Bom Samaritano. Os samaritanos eram desprezados pelos judeus como gente inferior, estrangeiros miscigenados com povos de outras etnias.
E Jesus toma, como exemplo, justamente um deles, que vai ao encontro do homem, gravemente ferido num assalto. O sacerdote e o levita, manifestando mentalidade puramente legalista, passaram ao largo, para não se contaminarem no contacto com o homem machucado. Somente o samaritano foi capaz do gesto de misericórdia, oferecendo seus cuidados, seu tempo e seu dinheiro para a recuperação daquele desconhecido.
A palavra do Evangelho, que nos manda fazer o mesmo, é uma das grandes lições de Jesus (cf. Lc 10,30-37).
Outro exemplo é a parábola da ovelha perdida, que se desgarra, enquanto as outras 99 permanecem seguras no redil. O Coração do Bom Pastor, que são Lucas quer retratar, não repousa enquanto não completa o seu rebanho. Vai em procura da ovelhinha que faltava, e a carrega nos ombros, de volta para casa. A imagem mais bela desta cena é o júbilo com que a recebe de volta! É uma festa! (cf. Lc 15,3-7).
Não se pode deixar de lembrar a história do chamado filho pródigo, que eu prefiro qualificar de desnorteado, alguém que perdeu o rumo da própria vida, na expectativa enganosa de aproveitá-la ao máximo. Desbaratou sua fortuna, perdeu a dignidade, a casa e a família. Perdeu tudo, até se tornar um ser quase desumanizado.
Mas, importa concentrarmo-nos mais na figura do pai, que perscrutava a estrada, todos os dias, à espera do filho. Quando este se arrepende e volta, o pai o recebe de braços abertos, estreitando-o junto ao peito, apesar de toda a sujeira e miséria de que o filho está recoberto.
O amor paterno é que vai restaurá-lo, conduzindo-o de volta à antiga nobreza. Novamente, vemos a imagem da festa, sinal da imensa alegria daquele pai (cf. Lc 15,11ss).
A misericórdia é o amor operando de forma dinâmica. Na sua Encíclica Deus Caritas Est, o Papa Bento XVI aborda este tema, mostrando que o verdadeiro amor se irradia nas aplicações concretas:
"Toda a atividade da Igreja é manifestação de um amor que procura o bem integral do homem: procura a sua evangelização por meio da Palavra e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes heróico nas suas realizações históricas; e procura a sua promoção nos vários âmbitos da vida e da atividade humana. Portanto, é amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos homens” (n°19).
Embora o Sacramento da misericórdia seja, por excelência, a Reconciliação, podemos encontrar na Eucaristia o maior gesto de misericórdia de Cristo para com os homens. Ele começa, lavando os pés dos Apóstolos.
Depois, lhes dá seu próprio Corpo e Sangue, recomendando que esse gesto se estendesse pelos séculos em fora (cf. Jo 13,1-15 ; Lc 22,7-20).
Todos temos fome de Deus, do Infinito, dos valores perenes e transcendentes. O Corpo e o Sangue do Senhor são a comida e a bebida que nos saciam, pois, através deles, o Cristo faz sua do+ação, uma ação continuada de dar-se a todos que o procuram de coração sincero.
Não existe exemplo mais perfeito do amor, feito misericórdia.
Encontramos na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, um profundo ensinamento do Papa Bento XVI a este respeito. Dela extraímos a seguinte passagem: “As nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem conscientizar-se, cada vez mais, de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo aquele que acredita nele a fazer-se ‘pão repartido’ para os outros e, conseqüentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno” (n°88).
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Pedra do Mar morto em hebraico confirma que Jesus é o Messias esperado

A descoberta abalou os círculos de arqueologia bíblica hebraicos porque prova que os judeus alimentavam a expectativa de um Messias que haveria de vir e que ressuscitaria três dias depois de morto.
A placa foi achada perto do Mar Morto e é um raro exemplo de inscrição em tinta sobre pedra em duas colunas como a Torá (é o equivalente nas escrituras hebraicas ao Pentateuco, i. é, os cinco primeiros livros da Bíblia).
Para Daniel Boyarin, professor do Talmude na Universidade de Berkeley, a peça é mais uma evidência de que Jesus Cristo corresponde ao Messias tradicionalmente esperado pelos judeus. Ada Yardeni e Binyamin Elitzur, especialistas israelenses em escrita hebraica, após detalhada análise, concluíram que datava do fim do primeiro século antes de Cristo. O professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv, Yuval Goren fez uma análise química e acha que não se pode duvidar de sua autenticidade.
Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica, defende que a pedra prova que a “a ressurreição depois de três dias é uma idéia anterior de Jesus, o que contradiz praticamente toda a atual visão acadêmica”.
Desde o ponto de vista católico estes dados científicos confirmam a Fé e as Escrituras.
Compreende-se que entre os judeus o achado cause polêmica, pois acaba apontando para a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, o que deixa em situação incomoda à Sinagoga que O crucificou e os que compartilham o deicídio.
Maria é mais Mãe que Rainha

Da Idade Média conta-se esta história:
“Uma viúva tinha um filho único a quem queria muito. Sabendo que ele havia sido feito prisioneiro pelos inimigos, acorrentado e posto na prisão, ela ficou profundamente triste e, dirigindo-se a Nossa Senhora, por quem tinha devoção especial, pediu-lhe com insistência liberdade para seu filho.
Passou-se um tempo e ela não viu o fruto de suas preces. Dirigiu-se, então, a uma imagem de Maria, na igreja. Ali ela disse: ´Santa Virgem, eu Vos supliquei a liberdade de meu filho e Vós não quisestes vir em socorro dessa mãe infeliz. Implorei vossa proteção para meu filho e me recusastes. Assim como meu filho foi levado, levarei o vosso e o guardarei como refém´.
Dizendo isso, aproximou-se, tomou a imagem do Menino do colo da Virgem, levou-a para casa, envolveu-a em linho sem mancha e, colocando-a num cofre, fechou-a à chave, contente por ter um tão bom refém como garantia da volta de seu filho.
Na noite seguinte, Nossa Senhora apareceu ao rapaz, abriu-lhe a porta da prisão e lhe disse: - Dize à tua mãe, meu rapaz, que ela entregue meu filho, agora que eu entreguei o dela.
O rapaz foi encontrar-se com sua mãe, e relatou-lhe a miraculosa libertação. A mãe, radiante de alegria, apressou-se a entregar o Menino Jesus a Nossa Senhora. – Eu Vos agradeço, Celestial Senhora, por me restituirdes o filho; em troca, restituo o vosso”.
Alguém poderá perguntar se o fato é verídico. Eu diria que não importa que o fato seja verídico, o importante é que ele seja possível.
O importante é saber se, de acordo com o que a doutrina católica nos ensina sobre Nossa Senhora e sobre as relações especiais de uma mãe com seu filho aqui na Terra, esse fato poder-se-ia ter passado.
Isso nos fala a respeito de Nossa Senhora. Ensina-nos, então, a verdadeira disposição de nossa alma perante Ela.
Trata-se de um caso que ensina uma extraordinária confiança em Nossa Senhora, uma extraordinária liberdade de ação em relação a Ela.
Vamos dizer assim: se o fato foi verdadeiro, a gente pode dizer que Nossa Senhora quis retardar a libertação do rapaz para provocar a mãe a tomar essa santa liberdade em relação a Ela. E desta maneira mostrar como quer ser tratada por nós.
É preciso distinguir aqui o caso originário do que poderia ser a caricatura dele. Essa mãe, segundo o caso, não tomou o Menino Jesus como represália.
Não foi uma vingança. Seria uma blasfêmia, caso ela tivesse dito: “Já que meu filho está sofrendo, eu vou fazer sofrer o seu!” Isso seria uma vingança, seria uma blasfêmia. Mas ela o tomou propriamente como refém.
O que era um refém na Idade Média? Era uma pessoa que era dada como garantia de alguma coisa. Por exemplo, havia um tratado entre dois reis.
O rei vencido dava o seu filho como refém, como garantia do cumprimento das cláusulas do tratado. Quando o tratado fosse cumprido, o filho do rei era solto.
Se o tratado não fosse cumprido, o filho do rei podia passar – conforme as cláusulas – duras penas, eventualmente a pena de morte.
Mas enquanto o tratado não era violado, o refém – por exemplo, no caso de dois reis – ficava na Corte do rei vencedor; ele fazia parte do cerimonial, tomava parte nos banquetes, nas cerimônias de protocolo entre os outros príncipes da Casa Real; ele viajava, era objeto de homenagens nas cidades onde passava, adquiria bens, às vezes até se casava.
De maneira que o refém não era um prisioneiro no sentido moderno da palavra, mas era o indivíduo que representa apenas uma garantia, que não era tratado como inimigo, mas apenas como um homem que estava garantindo algo, e, portanto, como um hóspede de eleição, como um hóspede distinto.
Então, foi o que ela fez com o Menino Jesus. Ela tirou a imagem do Menino Jesus que estava no colo da imagem de Nossa Senhora, e envolveu-a num pano muito limpo.
E trancou no cofre, que é o lugar onde se guardam as coisas preciosas. Ela teria agido, talvez, de modo ainda mais poético se a tivesse guardado no meio de flores. Mas, prisão por prisão, refém era no cofre. Nossa Senhora sorriu diante dessa candura.
Nossa Senhora viu que essa mulher confiava na misericórdia dEla enormemente, a ponto de compreender que se tomasse a imagem do Menino Jesus com essa liberdade.
Então, coroou o fato por um ato de uma liberalidade, um ato de doçura, de uma suavidade extraordinária. Ela se aproximou da prisão, libertou o rapaz e mandou esse recado: “Vá dizer à sua mãe que libertei o filho dela. Agora, ela liberte o Meu Filho”.
Quer dizer, colocando-se risonhamente, amavelmente, de igual para igual, numa atitude de afabilidade que nos indica a incomensurável bondade de Nossa Senhora.
Eu volto a dizer: não me interessa saber se o caso é verídico. O que importa é saber que, segundo a doutrina católica, ele podia ter-se dado. O que quer dizer que nós devemos também agir, com Nossa Senhora, dessa maneira: com muita liberdade, com muito respeito, com muito desembaraço, confiando na misericórdia d’Ela, que nossa Mãe e quer que, como filhos, nos aproximemos d'Ela sem medo algum.
Santa Teresa de Jesus, fazendo uma viagem, passou sobre uma pinguela, que é uma ponte feita por uma só árvore e que se lança, em geral, sobre o abismo.
Portanto, perigoso, porque a forma da árvore é arredondada, cilíndrica. É preciso saber atravessar bem. E quando ela passava pela pinguela – esse fato é histórico, se narra nas suas biografias – ela derrapou e foi caindo para o abismo.
Quando ela ia caindo, Nosso Senhor apareceu-lhe e sustentou-a. Ela então perguntou: “Meu Senhor, por que consentistes que eu escorregasse?” Quer dizer, que eu tomasse esse susto? Os senhores estão vendo a liberdade! Nosso Senhor deu a resposta: “Assim eu trato meus amigos”. Ela respondeu: “Por isso tendes tão poucos!”
Ela está disposta a receber tudo de Nosso Senhor. E morreu dardejada por um dardo de amor a Deus, algum tempo depois de ter o coração transverberado por um serafim. Ela morreu, portanto, de algum modo vítima de amor, mas, por assim dizer, gracejando com Deus, dizendo para Deus coisas amáveis.
O que mostra bem que entre Deus e nós há uma distância infinita; que entre Nossa Senhora e nós há uma distância incomensurável, mas Deus e Maria não ficam presos a esta distancia, mas Eles vem ao nosso encontro e desejam ter conosco um trato de Amor.
E isto é um Mistério que somente o Amor de Deus é capaz de fazer. Vir ao encontro de Sua Criatura débil e imperfeita por Amor, e desejar ter comunhão com ela. Ah ! Misericórdia do nosso Deus, e de nossa Mãe.
Na mais pura tradição do Carmelo, Santa Teresa de Lisieux tinha grande devoção à Santíssima Virgem. Para Teresa, Maria era" mais mãe que rainha" dizia.
Não gostava que lhe falasse de Maria num trono, inacessível aos pobres. A sua primeira poesia dedicada a Maria tem como título: "Porque te amo Maria".
É uma síntese dos primeiros capítulos de São Lucas: a sua pobreza, o seu silêncio contemplativo, a sua simplicidade, a sua fé, a sua disponibilidade, o seu sim. Era nessa Maria que ela se revia e que ele amava.
Ele dizia simplismente:
" A Santíssima Virgem teve menos que nós, porque não teve uma Santíssima Virgem para amar!"
Então, como filhinhos amados corramos para os braços de nossa Mãezinha!segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A Fé, a Esperança e a Caridade...as Virtudes Teologais

Ps:Explicação da gravura acima:
A. Fé esta simbolizada na parte superior da estampa por uma virgem sustendo a cruz com a mão direita e tendo na esquerda uma tocha acesa, para indicar que a fé ilumina a nossa alma.
A Esperança esta simbolizada a esquerda por uma virgem tendo na mão direita uma coroa e na esquerda uma ancora.
Vê-se na parte inferior esquerda o patriarca Jó que no excesso do seu padecer sempre esperou em Deus e não foi decepcionada a sua esperança.
A caridade esta simbolizada a direita por uma virgem tendo na mão um cálice com a hóstia e mostrando com a esquerda o seu coração em chamas.
Vê-se no angulo inferior direito a Nosso Senhor sentado a mesa de Simão o Fariseu, e Maria Madalena que lançando-se aos pés de Jesus, os banha de lagrimas, os enxuga com os cabelos, beija-os e os perfuma com balsamo.

Virtudes Teologais
Nascemos para cultivar e praticar as virtudes
A língua portuguesa tem origem no latim, que era a língua falada na região do Lácio que hoje é a Itália.
Os romanos levaram sua língua para a região de Portugal, nascendo ali o português, que foi trazido para o Brasil pelos nossos colonizadores.
Assim, a palavra latina "virtus" originou em português a palavra "virtude", que significa um conjunto de qualidades próprias do homem.
O homem nasceu para fazer o bem. Do Gênesis, primeiro livro da Bíblia, e que fala do começo do mundo, extraímos a fala de Deus: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança".
Somos imagem e semelhança do Todo-poderoso, portanto, nascemos para cuidar bem das coisas que Ele criou para nós e também para viver bem uns com os outros. Nascemos para cultivar e praticar a virtude, que é a boa vontade de sempre fazer o bem.
As virtudes podem ser HUMANAS e TEOLOGAIS. Nós cultivamos e usamos as virtudes humanas para conviver bem com as outras pessoas, no meio da nossa família, na nossa comunidade e no mundo, enfim. Também devemos cultivar as virtudes teologais no nosso relacionamento com Deus.
Quando recebemos o sacramento do Batismo é infundida em nós a graça santificante, que nos torna capazes de nos relacionar com a Santíssima Trindade e nos orienta na maneira cristã de agir. O Espírito Santo se torna presente em nós, fundamentando as virtudes teologais, que são três: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE.
I - PRIMEIRA VIRTUDE: A FÉ.
Cultivando a fé, acreditamos no Deus Criador, que é o Pai, no Deus Salvador, que é Jesus Cristo e no Deus Santificador, que é o Espírito Santo. Cultivando a fé, compreendemos que o Altíssimo é uno e trino e que tudo isso nos foi revelado nas Sagradas Escrituras. Cremos, então, que Deus é a verdade.
No dia a dia, nós usamos muito a fé. Temos fé nas pessoas, às vezes até em pessoas em quem não sabemos se podemos confiar. Por exemplo: ninguém pode ser testemunha do seu próprio nascimento, mas a fé que nós cremos nos pais ou no cartório que fez o registro nos faz acreditar na data e no local do nosso nascimento. Do mesmo modo, quando entramos em um ônibus ou em um avião, acreditamos que o motorista ou o piloto são habilitados para nos transportar e nós nem os conhecemos, mas acreditamos neles.
E Deus, que criou todas as coisas e nos deu a faculdade de pensar, de raciocinar, de acreditar? Temos muito mais motivos para acreditar n'Ele, para confiar n'Ele, para nos abandonar livremente em Suas mãos.
A fé que devemos cultivar em relação a Deus é muito mais segura do que a fé que naturalmente temos nas pessoas. Assim, pela fé, cremos no Todo-poderoso e em tudo o que Ele nos revelou. Ele se revela sempre a nós. Primeiro pelos Profetas, depois, através de seu Filho, que é a Sua Palavra. Ele se revela também através do testemunho dos Apóstolos. E, constantemente, através dos acontecimentos da história da humanidade e da história de cada um de nós.
A criança tem uma fé sem limites na mãe, desde muito pequena, porque foi ela quem a gerou, a amamentou, ensinou-lhe a andar e a falar.
E Deus, que preparou um mundo maravilhoso para nós e nos colocou como centro desse mundo?... É forçoso que confiemos n'Ele, com total confiança. Precisamos procurar conhecer a vontade do Pai e realizá-la em nós, porque, como diz São Paulo, em sua Carta aos Gálatas (cf. Gl 5,6), a fé age por amor.
Mas não basta que nós cultivemos a fé. Esta, quando verdadeira, exige ação. Quando temos um amigo, não basta que gostemos dele. Devemos dar-lhe atenção, ajudá-lo quando necessário e possível, e ajudar também as pessoas que ele ama. Se não for assim, a amizade e a confiança não são verdadeiras.
Com Deus, é do mesmo modo. De que adianta a pessoa acreditar n'Ele e não fazer nada para melhorar o mundo que Ele criou com tanto amor? Madre Teresa de Calcutá dizia: "Eu sei que o meu trabalho é como uma gota no oceano, mas, sem ele, o oceano seria menor". E São Tiago, em uma carta, nos diz que "a fé sem obras é morta "(cf. Tg 2,26).
A fé nos leva, portanto, a praticar a justiça em tudo que fazemos.
II - SEGUNDA VIRTUDE: A ESPERANÇA.
A Esperança é a virtude que nos ajuda a desejar e a esperar tempos melhores em nossa vida aqui na terra e a ter a certeza de que conquistaremos a vida eterna, que será a nossa felicidade.
Muitas vezes, passamos por momentos difíceis e achamos que nossa vida não tem solução. O mundo hoje está muito violento e cheio de catástrofes. A cada dia, assistimos na televisão e até bem perto de nós, cenas de maldade, agressões, violência. E assistimos também a tragédias provocadas por desastres da natureza.
Precisamos refletir sobre tudo o que está acontecendo, encontrar onde está a falha e buscar uma solução. Sozinhos, não somos nada, mas, com Deus, tudo podemos. A esperança nos leva a tentar vencer os obstáculos.
Há poucos dias, um fato nos chamou a atenção. Houve um tremor de terra no Haiti e 70% dos prédios da capital se desmoronaram. Um repórter conseguiu mostrar que, em meio à quase completa ruína de uma igreja católica, restou intacta, a imagem do Cristo Crucificado. Tudo quebrado no chão e ela lá, em pé, fulgurante, como a mostrar que Ele está presente junto ao povo sofrido. Esta cena é muito significativa. Pode-se compreender muita mensagem de Deus para nós. Precisamos aprender a escutar a voz do Pai. Cada um, no seu coração, vai interpretar, a seu modo, fatos como este, tão significativos.
No Antigo Testamento, a esposa de Abraão era estéril, mas o Senhor lhe prometeu uma descendência mais numerosa do que as estrelas do céu e todo o povo de Deus constitui a sua descendência, porque Sara, sua esposa, concebeu na velhice e gerou seu filho, Isaac.
No Novo Testamento, o anjo do Senhor anunciou a Virgem Maria que ela seria Mãe de um rei. E ela, de início sem compreender o que anjo falara, se prontificou a cumprir a vontade do Pai. Sofreu muito, meditando tudo no silêncio do seu coração. Esperou, esperou contra toda esperança e foi elevada aos céus e coroada Rainha dos anjos e dos santos, Mãe de Deus e Mãe da humanidade.
Seu Filho não foi aquele rei rico em coisas materiais, como nós imaginamos, no nosso mundo serem os reis. Mas Ele mesmo disse: "O meu reino não é deste mundo". E Ele é o Rei dos Reis e ao som do Seu nome se dobram todos os seres do céu, da terra e sob a terra. Somos, por meio de Cristo, herdeiros da esperança de vida eterna.
III - Terceira Virtude: CARIDADE.
A Caridade é amor. São palavras sinônimas. A Caridade não é somente procurar uma moedinha no fundo da bolsa e jogá-la na latinha de quem pede. A Caridade não é somente ofertar um prato de comida a quem tem fome. A Caridade não é somente tirar do nosso guarda-roupa um vestido, uma blusa, um sapato ou qualquer objeto que não usamos mais e dar a quem nada tem. A Caridade é amor. É conhecer a dor da pessoa que vive perto de nós, quer seja na nossa família, na comunidade ou mais distante. Conhecer a sua dor e procurar com ela resolver o seu problema.
A Caridade é dar um "bom-dia!", é sorrir para uma criança indefesa, para um jovem, às vezes desorientado, para um idoso que carrega seu fardo com dificuldade.
A caridade, o amor é a virtude perfeita. Neste mundo, precisamos ter fé, esperança e amor. Precisamos ter fé e esperança porque aqui estamos caminhando nas trevas, isto é, acreditamos em algo que não vemos com os nossos olhos humanos e limitados. Mas cremos na aurora que dissipará essas trevas e, quando alcançarmos a vida eterna, a fé e a esperança já não serão necessárias, porque já estaremos diante do Pai.
Entretanto, o amor permanece, porque Deus é amor e, se estamos diante d'Ele, também somos amor.
Por isso é que São Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios, termina o capítulo 13 dizendo: "Agora, portanto, permanecem três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas é o amor".(I Cor 13).
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Crise na vida consagrada ?


O Santo Padre, Papa Bento XVI, na sua primeira homilia como Papa, lembrou que Jesus não é indiferente ao fato “que tantas pessoas vivam no deserto. E existem tantas formas de deserto.
Há o deserto da pobreza, o deserto da fome e da sede, o deserto do abandono, da solidão, do amor destruído. Há o deserto da obscuridão de Deus, do esvaziamento das almas que perderam a consciência da dignidade e do caminho do homem. Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos” .
(Bento XVI)
É comum em nossos dias ouvir pessoas consagradas à vida religiosa afirmarem que estão em situação de deserto de dor e que perderam o sentido da vivência da fé e da consagração.
Ademais, deixam transparecer com a própria vida que estão sem rumo e que as motivações iniciais parecem não ter mais ressonância no empenho continuado pela vida de consagração e missão. Isso doe dentro de nós e nos interpela a fazer algo para restaurar as vidas destes irmãos e irmãs nossos. Urge para eles, com a ajuda da Igreja a necessidade de reavivar o dom de Deus que há em cada um deles.
Tal situação parece ser cada vez mais comum e tem favorecido o alargamento do que chamamos de crise do sentido religioso e do desencanto com o chamado vocacional interior recebido de Deus.
Para entender tal situação e preciso olhar a realidade do momento a partir de dentro, tentando visualizar os simbolismos da linguagem e da cultura que têm influenciado drasticamente o existencial dos que um dia se sentiram chamados pelo Senhor. Este olhar precisa ser profético e misericordioso.
Não são necessárias rebuscadas reflexões para detectarmos no atual momento da cultura uma fraqueza impar na compreensão da pessoa humana. Com isso a matriz dos valores humanos está sendo estrangulada.
Decorre daí a crise existencial que solapa a vida de um grande número de pessoas consagradas que chegam à vida religiosa machucadas pela falta de referencial humano, pois a reflexão sobre a pessoa humana atualmente é decadente e fragmentada.
Perdemos a capacidade de saber quem somos e, somando a isso, os vesgos de cunho psicológicos que trazemos em nossa bagagem pessoal facilmente nos leva a incapacidade de lidar com a dor e com as exigências do nosso existir. Desta feita, não é a vida religiosa e os demais estados de vida, especialmente o matrimônio, que estão em crise, mas as pessoas. Há uma crise da pessoa humana.
O momento cultural atual nem sempre prima pela essência do ser da pessoa, mas pela aparência ostentada pelo corpo como fonte de prazer, vaidade e consumo.
Há um notável desvio de foco: o que é acidental tornou-se essencial e o periférico ocupa a centralidade. Tal concepção, largamente difundida pela mídia e por certos ambientes massificantes, incide fortemente na vida religiosa, levando muitas pessoas ao desastre vocacional por não saber separar o joio do trigo.
Esta mentalidade está profundamente carregada de um relativismo moral e religioso que produz o que chamamos de secularismo ou autonomia do terrestre. Já o Concílio Vaticano II nos alertou sobre o perigo desta concepção que leva o homem a pensar que a obra criada é independente do Criador .
O que estamos vivendo pode ser facilmente confrontado com a Palavra de Deus. Quando Jesus afirma que o seu Reino não é deste mundo ele quer nos ensinar que o mundo, segundo a Bíblia, é um esquema mental produzido pelas pessoas que difere daquele que está na essência do amor salvífico de Deus. É o mundo do pecado e da desobediência que ocasiona no interior da pessoa humana o conflito, a crise e o dilema.
Acredito que o Apostolo Paulo tenha vivido este dilema, pois o jeito que ele vivia não era o jeito que o mundo de sua época vivia. Ou ele ou o mundo estava louco. Pelo que lemos em suas cartas, nota-se que ele chegou à conclusão que estava certo e que o núcleo existencial de sua vida era mesmo o anúncio do Cristo crucificado. Paulo, em Cristo, tornou-se o homem livre por excelência.
O esfriamento da vida religiosa não está no Carisma e tampouco nas constituições a serem vividas como “seqüela Christi” , mas na contaminação com a mentalidade frívola do mundo atual.
Na base da crise de compreensão do humano está uma profunda crise de fé de muitas pessoas consagradas. Eis um grande desafio para a Igreja de nossos tempos. Há muita gente sem rumo porque perdeu a fé. Sem a fé é fácil negar a Igreja, negar a vida religiosa e os conselhos evangélicos, negar o sentido da própria vida e negar o próprio Deus.
A mentalidade do mundo de hoje, além de relativista é profundamente materialista. De repente alguém na vida religiosa pode se ver na vontade de abandonar tudo para ir ao encontro de uma falsa liberdade e de uma falsa satisfação interior através das criaturas.
Não é de se estranhar que tem gente que não tem coragem de abandonar o barco, mas procura enche-lo com os apetrechos do consumismo, da vaidade e da sexualidade mal resolvida. Com isso a vida religiosa se torna uma mentira e uma duplicidade tormentosa, pois a pessoa passa a ser o que não é.
Como a mentira não pode assumir o lugar da verdade, a falta de unidade interior provoca a ruptura do ser e a pessoa passa a viver uma “neurose nuogena”.
Conversando com uma pessoa celibatária, consagrada numa comunidade de vida, ela me dizia que o inimigo tem roubado muitas pessoas consagradas através do afeto mal resolvido. É verdade.
A mentalidade do mundo leva as pessoas a viverem de maneira desconexa sua afetividade e a sexualidade que devia estar amadurecida por uma integração positiva descamba para a genitalidade desequilibrada. Isso facilmente ocorre quando a pessoa não é capaz de resolver seus afetos de maneira objetiva e integrá-los na resposta ao chamado de Deus.
Tal solução se dá partindo de uma visão cristã da vida, sem moralismo e sem radicalismos, favorecendo o amadurecimento da vontade interior em busca da realização do fim último que é o bem.
A restauração do sentido da vida e consequentemente da vida religiosa, passa inexoravelmente pela volta a Cristo. “A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva”.
O encontro com o Senhor é a porta pela qual o sentido da vida emerge com toda a sua pujança e profundidade.
A heresia das obras é fruto do tormento da mentalidade do mundo que ganhou espaço também no interior de pessoas consagradas.
Cria-se uma necessidade permanente de inquietude e desejo de sempre estar fazendo algo. A interioridade, a vida de oração e a prática da meditação passa a não ser mais prioridade. É o prenuncio da exaustão espiritual.
É o declínio e a falência do sentido da consagração. É preciso voltar ao Cristo e reencontrar com a beleza do ágape da vida religiosa. Esta busca simples e desarmada reaviva em nós o dom de Deus que inclui o processo de renovação da fé e da volta ao primeiro amor. Nem sempre é possível fazer este caminho só.
É importante a humildade e a busca de ajuda. Eles existem, às vezes preferem-se não enxergá-las.
A prática da oração é o remédio eficaz contra os males que se abatem contra vida religiosa em nosso tempo.
A arte de orar leva à aquisição do pendulo do equilíbrio e da profundidade de alma. Deus nos criou com uma Inteligência e uma vontade para que livremente busquemos a verdade. Para nós a verdade é Cristo.
Buscá-lo é sinônimo de felicidade e profunda liberdade. Quem é de Cristo é livre. Ele não é um peso e muito menos subtrai nossa liberdade.
O amor de Cristo é o fim último que devemos buscar como cristãos e de maneira mais incisiva como pessoas a Ele consagradas.
A volta ao Cristo é a volta ao Amado. Ele nos dá o Espírito prometido para que o dom de Deus reavive dentro de nós e nos impulsione a uma vida de amor e alteridade com os outros. A vida comunitária não pode ser entendida somente como penitência e sofrimento, mas como lugar do ágape,da cura interior, do amor, da compreensão e da unidade que jorram da Cruz de Cristo.
Uma das belezas da vida religiosa é exatamente a vida comunitária e fraterna, tão corroída pelos cupins do egoísmo e do vazio humano produzidos pela mentalidade capitalista.
A alegria de ser de Deus decorre da certeza de que “só Deus é Deus” . As pessoas consagradas não precisam de ídolos, pois a entrega foi feita a Deus e nada se iguala a Ele. Qualquer tentativa de absolutizar idéias, coisas, pessoas, situações que ocupem o lugar de Deus torna-se idolatria e impede o afervoramento do dom e dos carismas.
Sem Deus a alma se perde em aventuras humanas, portanto passageiras e avassaladoras como as enchentes que deixam estragos.
No horizonte do caminho de reavivamento do chamado e da vida religiosa, não podemos esquecer que o estudo e o apostolado nos ajuda muito neste processo.
Há um notável e crescente fascínio pelas informações rápidas e imediatas que são como chuvas de verão que vem em abundância, a água escoa rapidamente e não encharca a terra em profundidade.
O estudo precisa ser parcimonioso, paciente e continuado, para que o conteúdo atinja o profundo terreno do coração, como a chuva mansa e permanente. Inegavelmente o estudo de conteúdos objetivos e seguros fará um bem extraordinário ao crescimento da pessoa consagrada. É um alimento para a alma.
A vida religiosa é um dom de si para os outros. A atitude de Jesus de “lavar os pés dos seus apóstolos e discípulos” fundamenta muito bem como deve ser a vida e o apostolado de uma pessoa consagrada.
O apostolado fervoroso é um meio que Deus usa para reanimar os que perderam os horizontes. No apostolado a pessoa consagrada vive o discipulado e a missão, aprende com as pessoas, solidariza com os que são oprimidos, ajuda a animar e a organizar as forças vivas em torno a Palavra de Deus e dos sacramentos. O apostolado é uma fonte de bênçãos e motivação, mesmo que simples e pequeno.
Concluo com uma breve alusão a excelência na vida religiosa. O que se precisa ter presente no processe permanente de reavivamento do dom de Deus é que se faz necessário chegar à perfeição mergulhado em pleno mundo.
O caminho para a perfeição passa, inegavelmente, pelo processo de conhecimento de si e da acolhida da própria história. É preciso aceitar os processos e conflitos do passado a partir da restauração efetivada por Cristo na Cruz. Às vezes dói realizar o encontro com o que somos, mas é profundamente libertador.
A excelência na vida religiosa implica alcançar degraus de maturidade humana (reconciliação consigo, com os outros e com a história pessoal), afetiva (equilíbrio e profunda liberdade nos relacionamentos, integração da sexualidade com o ágape de Cristo), intelectual (buscar o conhecimento que ajuda amadurecer a compreensão do significado da existência para si, para os outros e para Deus) e espiritual (cultivar a amizade com Deus na profundidade da leitura orante da Palavra de Deus e na celebração dos sacramentos).
Longe de ser um peso, a vida religiosa reavivada torna bela e leve a existência de quem a abraça. Longe de ser considerada desnecessária em nossos dias de materialismo e descrença, a vida religiosa é um tesouro relevante e profético, cujo testemunho aponta para o sentido último da esperança: a vida para além dos muros limítrofes da nossa existência material.
Deus abençoe cada um dos nossos irmãos e irmãs que abraçaram a entrega total a Cristo e dê força aos que estão parados a beira da estrada para que também eles possam, com a ajuda do Espírito Santo e nossa, reavivar o dom de Deus que há neles. Amém!